O que mais incomoda neste empate perante Israel é a sensação de que, caso se lesionem algumas das peças habituais no onze de Portugal, logo se perde qualquer laivo de jogo coletivo. E esta verificação nada tem a ver com a qualidade de alguns dos jogadores que entraram excecionalmente.
Ricardo Costa foi dos melhores em campo e Antunes é talvez o melhor defesa-esquerdo que a Seleção pode ter atualmente (Coentrão é muito mais anárquico e inseguro a defender). Mas o jogo sai tão mastigado, com tanta incapacidade de circulação de bola segura desde a defesa, que fica clara a diferença entre esta geração de jogadores e a que a antecedeu. O Portugal de Figo era uma grande equipa com um excecional jogador; o Portugal de Ronaldo é uma equipa fraquinha com um dos melhores jogadores da história do futebol. Nunca nada está completamente certo neste país de fado. Com esta safra de jogadores – e Paulo Bento está arredado de qualquer culpa – Portugal talvez chegue ao Mundial mas dificilmente passará da fase de grupos. Os laterais titulares são fracos. No meio-campo, apenas Moutinho tem classe internacional (Josué só agora está a chegar e a sua dimensão dependerá da forma como consiga dominar as marés nervosas). E, por último, acima de tudo, não temos um ponta-de-lança concretizador. Um ponta-de-lança que o seja, de facto. Hugo Almeida, titular ontem, prolongou a habitual agonia transportada por Hélder Postiga até ao centro do ataque. É assim, caro leitor, que estamos condenados à suficiência sem brilho. Nem do futebol nos pode chegar uma alegria coletiva que, se nada resolve, sempre atenua estes anos de chumbo, eivados de crise e desesperança. Ronaldo também esteve muito ausente no jogo de ontem, o maior realce individual do líder da Seleção surgiu no momento em que arrancou para si um cartão amarelo estratégico. Assim seguiu Ronaldo o exemplo do seu colega e amigo, Pepe. Ambos limpam a folha para o embate mata-mata que decidirá a ida ao Brasil. Vamos ver que seleção para esse momento decisivo nos calha em sorte. Na maré em que andamos, é de temer o pior.