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A candidatura de Luís Figo à presidência da FIFA é uma boa notícia para o futebol português. Trata-se de um desafio ambicioso, possivelmente para o lugar mais alto que se pode ter numa carreira ligada a esta modalidade, que terá pela frente muitas dificuldades, ao desafiar um poder que está instituído há várias décadas, mas que pode marcar um ponto de viragem, ao focar a discussão no que verdadeiramente interessa: o desenvolvimento e melhoria da indústria do futebol.
Ao que tudo indica, esta foi uma decisão ponderada e tomada há vários meses pelo antigo internacional português, o que nos leva a crer que Luís Figo acredita que pode reunir os apoios suficientes para competir com a candidatura de Joseph Blatter, que será muito difícil de destronar, visto continuar a ser sustentada por um poderoso lóbi, que tudo fará para se manter no poder.
Dono e senhor de uma carreira invejável enquanto futebolista, com imensas conquistas individuais e coletivas, Luís Figo parte com uma vantagem: foi alguém que passou pelo futebol verdadeiramente jogado dentro de campo e por isso pode contribuir com uma visão mais realista de propostas que realmente consigam melhorar a modalidade. Isso pode jogar a seu favor, no sentido de puxar para o seu lado antigos jogadores internacionais que hoje lideram as federações dos seus países. Entre os outros cinco candidatos a presidente da FIFA, apenas o ex-internacional francês David Ginola poderá ter uma valência semelhante.
Por seu turno, esta é também uma oportunidade para a FPF no apoio a esta candidatura, que será sempre um motivo de orgulho nacional. De mostrar que os portugueses poderão fazer uma campanha pela positiva e com visão reformadora, focada em devolver a credibilidade a uma instituição que se têm visto rodeada de escândalos atrás de escândalos.
E a luta pela transparência será certamente um dos temas quentes dos próximos meses. A forma como foram atribuídos os Mundiais de 2018 e 2022, a Rússia e Qatar, respetivamente, com suspeitas de votos comprados e pagamentos de luvas a influentes barões do futebol mundial, serve de exemplo para o atual estado das coisas numa instituição que se tem movido mais pelos interesses monetários.
Mais recentemente ficou-se a saber que a FIFA vendeu os direitos televisivos para o mercado asiático (26 países, onde se encontram mercados gigantes como a China, a Índia e a Indonésia) dos próximos dois Mundiais a uma empresa liderada pelo sobrinho de presidente da FIFA, Phillippe Blatter. São casos como este que colocam a instituição em descrédito e que provocam a atual fuga de patrocinadores.
Perante tamanho modus operandi, em que há votos comprados e muitas jogadas de bastidores neste poderoso lóbi que envolve a FIFA, qualquer candidato que se proponha a colocar isso em causa terá uma missão difícil pela frente, para conseguir reunir o apoio de federações suficientes para lhe dar a vitória. Mas é salutar que surjam pessoas com coragem de abalar e confrontar esta situação.
Luís Figo será um David a enfrentar Golias. Só uma campanha com enorme poder mobilizador poderá dar-lhe alguma chance de destronar Blatter. Mas esta candidatura tem o mérito de colocar o ex-capitão da Seleção novamente no mapa do futebol mundial e… nacional. Quem sabe se, no futuro, não estarão as portas abertas para um lugar na FIFA, na UEFA ou até como presidente da Federação Portuguesa de Futebol, caso tenha interesse em ser candidato.
O Craque – Talento em evolução
Danilo Pereira é um dos jogadores em maior evidência na equipa do Marítimo. Aos 23 anos, o vice-campeão mundial de sub-20 já apresenta um futebol consistente e uma maior maturidade competitiva, que fazem dele um dos melhores médios defensivos do nosso campeonato. Concentrado e forte na marcação, tem sido uma voz de comando no futebol dos madeirenses, na recuperação da bola e no rápido processo de construção de jogo. É natural que comecem a surgir nomes de clubes interessados no seu concurso. Se continuar a crescer, William Carvalho vai ter concorrência nos eleitos de Fernando Santos.
A Jogada – Gonçalo, uma espécie rara
Filho de peixe sabe nadar. Os primeiros jogos de Gonçalo Paciência na equipa principal do FC Porto indiciam que estamos na presença de um jogador com enorme potencial, um avançado com caraterísticas que há muito não se viam no nosso país. É um ponta de lança com estampa física, dotado de excelente técnica e sentido de baliza. Se tiver o devido acompanhamento e oportunidades para jogar, que lhe permitam evoluir para um patamar superior, será certamente uma excelente opção, a médio prazo, para a Seleção Nacional, tal como foi o pai.
A Dúvida – Mercado ativo
O mercado fecha na próxima segunda-feira e até lá prevem-se movimentações nos clubes portugueses, com as equipas a fazerem os ajustes finais para encararem a segunda volta do campeonato com mais armas e ambição renovada. Serão dias de frenesim com a chegada e partida de craques. Os grandes vão arrumando a casa com o empréstimo de excedentários que poderão ser preciosos para equipas do escalão principal. E quanto a entradas, será que Jesus, Lopetegui e Marco Silva ainda vão ter um presente de última hora?