Um génio chamado Quaresma

Um génio chamado Quaresma

O FC Porto recuperou um dos heróis mais aclamados da última década; a Liga reforçou-se com um dos grandes fenómenos do novo século e a Seleção espera receber inesperado reforço para o Mundial. Harry Potter é, ele próprio, um cocktail de emoções e talento pronto a explodir.

1 No futebol de hoje a liberdade só se conquista depois de cumpridas todas as obrigações para o bem-estar coletivo. Até ser concedida autorização para criar, todos têm de zelar por equilíbrio e segurança; antes de alguém inventar soluções personalizadas, é preciso respeitar o guião que orienta a manobra e seguir o catálogo de soluções conhecidas. Ricardo Quaresma prefere não refugiar-se nesses automatismos que dão consistência mas retiram aventura ao futebol; faz um esforço para cumprir as regras mas prefere agir acreditando que acabará por tirar um coelho da cartola. Nunca foi fácil a vida de quem decide jogos com relâmpagos de criatividade fora do contexto das regras instituídas pelos treinadores.

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2 Para inventar obras-primas com a trivialidade de quem trauteia cantigas num tempo morto do dia, é preciso imaginação, momento, espaço e condições superiores para executá-las. Jogadores como Quaresma são muitas vezes uma brisa de loucura que nos reconcilia com o jogo; artistas que transportam o risco de quem enfrenta plateias exigentes acreditando que pode dar concertos sem partitura. Por inconsciência confia cegamente no seu reportório, por insolência acredita que ninguém poderá impedi-lo de tocar o céu com malabarismos, extravagâncias, toques, truques, trivelas e demais argumentos exibicionistas. Fez muita asneira, cometeu muitos erros, perdeu-se vezes em demasia pelo caminho. Mas quando o fez já tinha como atenuante a expressão de qualidades raras à escala mundial.

3 Todos o reconhecemos como um dos futebolistas mais virtuosos, deslumbrantes, imprevisíveis e desequilibradores da história do futebol nacional. Mas dele ficará a imagem degradada por ter falhado o patamar divino que os genes lhe reservaram antes mesmo de se fazer à estrada; que por culpa própria, mas também de muitos outros com quem se cruzou, não cumpriu a obrigação de triunfar nas grandes salas por onde passou sem glória – Barcelona, Inter e Chelsea. O fracasso nesses cenários grandiosos, porém, apenas define uma personalidade, um modo de encarar o Mundo e reagir a circunstâncias adversas. Não foi (e devia ter sido) uma estrela universal mas isso não diminui a magia sumptuosa da sua arte, nem lhe retira lugar entre os melhores jogadores portugueses de todos os tempos.

4 Quaresma é um génio do futebol. Agora que regressou ao palco das maiores proezas, reencontrou a plateia que mais o idolatrou e caiu nos braços da família que o adora, reuniu condições para recuperar toda a expressão do talento ilimitado. Que volta aos 30 anos, no culminar de troço menos exigente, em que não se testou como soldado de elite? Não sejamos ingénuos com um artista cuja exaltação depende, em grande parte, das emoções que provoca nos outros. Quaresma tem tudo para resgatar no Dragão o prestígio abalado e interferir nas contas finais do título; o FC Porto recuperou um dos heróis mais aclamados da última década; a Liga reforçou-se com um dos seus mais extraordinários fenómenos do novo século; a Seleção Nacional espera receber inesperado reforço para o Mundial. Harry Potter é, ele próprio, um cocktail de emoções pronto a explodir

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Impressionante tornado Slimani

O modo como Slimani revolucionou o jogo em Arouca enobrece-o como profissional, define-o como ponta-de-lança e dá-lhe enquadramento no futuro do Sporting 2013/14. Tem sido importantíssimo em situações excecionais, aquelas que escapam aos princípios consolidados por Leonardo Jardim e para os quais a qualidade e o perfil de Montero são mais adequados. Perante cenário de dificuldade extrema, o argelino foi impressionante. Raras vezes se vê um homem só alterar de forma tão clara o rumo de um jogo, qual tornado que nada deixa no lugar.

Fejsa depois de Javi e Matic

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Fejsa não tem o estilo do compatriota nem a qualidade de Javi García, isto é, fica furos abaixo dos médios-centro de Jorge Jesus enquanto líder da águia. Não parece, até pela idade (25 anos), que o treinador possa torná-lo em referência europeia. Conseguirá apetrechá-lo com mais argumentos táticos, para cumprir melhor o papel importantíssimo que lhe cabe na consistência da equipa a todos os níveis; mas ser-lhe-á muito difícil repetir o trabalho de ourives talentoso que transformou dois jovens por definir em diamantes que renderam mais de 45 milhões aos cofres da águia.

Uma estrela com 20 anos

Formado no Alverca e potenciado no Feirense, Rafa tinha ficado pelas ameaças, pelos pormenores que desvendavam as pontas de um talento reconhecidamente mais amplo e profundo. No Sp. Braga, Jesualdo Ferreira resguardou-o enquanto lhe preencheu o disco rígido com elementos sem os quais um futebolista não se impõe ao mais alto nível. Assim que lhe foi dada rédea solta para se mostrar em pleno, confirmou tratar-se de um futebolista superior, que melhora a equipa, intimida os adversários e deslumbra os adeptos. Aos 20 anos, está a chegar uma estrela do futebol português.

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