Um Pai Natal chamado Benfica

Depois de ter dito adeus à Taça UEFA e à Taça de Portugal, o Benfica parece, agora, empenhado em descarrilar da luta pelo título nacional. Para já, "entregou" a liderança da prova ao FC Porto e foi apanhado pelo Sporting. Tudo porque, após vários deslizes caseiros no final de 2008, as águias abriram 2009 com uma derrota na Trofa... perante o até então último classificado da Liga.

Pode mesmo afirmar-se que, ao invés do que diz a sabedoria popular, na Luz o ano novo não significa vida nova. O Benfica fechou um ano e abriu outro a distribuir prendas a quem lhe surgiu pela frente, numa postura de verdadeiro Pai Natal que, a nível de Liga, já custou a invencibilidade e a liderança.

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A pobre exibição de domingo foi, apenas e só, a repetição de outras apresentações debéis do conjunto encarnado que, pela enésima vez, revelou estar órfão de um verdadeiro líder, de alguém que leve o grupo para a frente, que jogue e faça joga, que fale e se faça ouvir. Novidade... apenas a derrota.

O Benfica, é verdade, entrou bem. E podia ter marcado uma ou duas vezes nos primeiros minutos. Mas, como nos embates anteriores, as poucas ocasiões foram desperdiças. Depois dos 6-0 ao Marítimo, o Benfica nunca mais festejou um golo. E já lá vão quatro partidas ou 390 minutos, tendo em conta que disputou 120 em Matosinhos, perante o Leixões, em jogo da Taça de Portugal.

Numa equipa em que a aposta em Aimar (continua sem acertar um remate em jogos oficiais) numa posição entre avançado e "10" acaba quase sempre por resultar... em nada, merecem também destaque:

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- O facto de Quique Flores continuar a acreditar que Binya pode ser uma solução efectiva. Fazer alinhar o camaronês desde o início é retirar técnica ao colectivo e ter quase a certeza que a partir dos 45-60 minutos (período em que o cartão amarelo costuma aparecer) as hipóteses de ficar em inferioridade numérica são enormes. O treinador admitiu, no "flash interview, que estava a preparar a substituição quando o africano resolveu jogar andebol. Tudo bem, leu o que se estava a passar. O problema é que foi lento...

- Di María é cada vez mais um "case study". Continuo sem perceber o que faz dele um jogador que desperta a cobiça de tantos emblemas de nomeada. Reafirmo que se fosse português, o jovem já estava emprestado a algum... Trofense.

- Carlos Martins cumpriu durante a pré-temporada, mas desde que os jogos "a sério" começaram... desapareceu. A prestação na Trofa confirmou-o.

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- A dupla Suazo-Cardozo não rende. Com o paraguaio em nítida quebra de forma e confiança, tudo lhe sai ao contrário, mas é por demais evidente que dupla, no futuro, terá de ser formada por Nuno Gomes (o único dianteiro que sabe abrir espaços) e... outro.

Mas, em abono da verdade, diga-se também que o Benfica perdeu porque o Trofense jogou bem. Com uma equipa recheada de jogadores dispensados de outros emblemas, o clube que faz a estreia esta temporada na Liga... engatou uma jogatana. E Tulipa, durante a semana, explicou que sabia como atrapalhar a engrenagem encarnada. Provavelmente, poucos lhe ligaram. E se foi Quique que lançou o jogo à gargalhada, foi o técnico contrário que teve motivos para sorris após o apito final.

PS - Antes do jogo da Trofa, o FC Porto assumiu a liderança na Liga com um sucesso (4-2) na Choupana, diante do Nacional. Bom jogo de futebol, com destaque para a segunda parte. Os dragões trabalharam muito em busca do triunfo, mas os insulares nunca viraram a cara à luta. Com uma excepção... Felipe Lopes. Esse, de forma infantil, não só virou a cara como levantou o braço!

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