1 Não é fácil encontrar um quadro legal que solucione de uma vez por todas o problema da utilização dos jogadores emprestados, cujo passe está em regime de copropriedade, ou exista apenas uma mera promessa de compra ou recompra desses direitos desportivos. Os clubes, tanto os mais ricos como os remediados, são bastante engenhosos e dão-se mesmo ao luxo de gerirem estes casos como se os adeptos do futebol não passassem de mentecaptos. Oque aconteceu no último Benfica-Belenenses é só mais um episódio de uma questão que se arrasta há muitos anos.
A Liga tem duas alternativas. Ou proibe a utilização dos jogadores nas circunstâncias acima descritas ou, em nome da verdade desportiva, não permite que os “clubes-satélite” abdiquem dos seus préstimos desportivos. No primeiro caso, estamos perante um crime lesa-futebol e em que não se demonstra qualquer respeito pelo homem/atleta, no segundo de uma pura e simples impossibilidade prática, pois, além das rocambolescas histórias das súbitas lesões que o passado já nos deu conta, não é possível escalar um onze em nome de um treinador nem por ele efetuar qualquer substituição no decorrer de um jogo.
No meio de tanta patranha, de tanta falta de consideração por quem paga o bilhete ou garante as audiências televisivas, há a destacar a dignidade que, por exemplo, José Couceiro e Tozé revelaram no último Estoril-FCPorto. O treinador não se coibiu de indicar o jovem médio para a conversão do penálti. Independentemente das circunstâncias, não existia, no entender de um homem de bem e que acredita na idoneidade de quem dirige, qualquer razão para modificar a hierarquia dos marcadores de grandes penalidades. O internacional sub-21, por seu turno, valorizou o lado profissional e obteve o golo (se tivesse falhado não faltariam insinuações...), mesmo que isso lhe tenha custado um enxovalho por parte de quem de desportista tem muito pouco.
2 Coincidindo com toda esta confusão, de que o Sporting tenta legitimamente tirar partido, joga-se um FCPorto-Benfica já amanhã. Lopetegui não terá desculpas. Os dragões possuem o plantel mais rico, fizeram o investimento mais avultado e reúnem maior dose de favoritismo.