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Valer o preço do bilhete

Valer o preço do bilhete

Numa altura em que fogem os patrocinadores e a maioria dos estádios estão vazios, a promoção do futebol nacional enquanto negócio sustentável está a falhar. Além disso, a qualidade do futebol produzido pela maioria das equipas portuguesas tem sido extremamente baixa, por força de um alargamento que pouco beneficiou a competitividade. São necessárias medidas para que o futebol português se torne um produto mais atraente.

Os números da atual edição da 1.ª Liga ajudam a perceber isso. A taxa de ocupação média dos 18 estádios do principal escalão ronda os 40% e, se tirarmos os 3 grandes da equação, os valores caem para os 30%. Quer isto dizer que na maioria dos jogos do campeonato nacional, mais de metade dos lugares dos estádios estão vazios. Veja-se o caso do Boavista, que com um bonito e moderno estádio, só preenche 16% dos lugares do Bessa. Números assustadores.

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Já com os três grandes jogos da primeira volta realizados (Benfica-Sporting, Sporting-FC Porto e FC Porto-Benfica), as assistências da 1.ª Liga apresentam uma média de 10.230 espectadores por partida (sem os grandes, a média cai para 4.545, inferior à da 2.ª Liga espanhola!), registo muito aquém do que se verifica nas principais ligas europeias e mesmo em países com dimensão semelhante a Portugal, como Bélgica (12.000) e Holanda (19.000).

E não deixa de ser estranho que belgas e holandeses se estejam cada vez mais a focar neste problema das assistências, equacionando a criação de uma liga conjunta, enquanto os dirigentes lusos não pareçam ver na falta de público um problema prioritário. E com a concorrência das transmissões televisivas de ligas como a inglesa, a espanhola ou a alemã, para trazer mais gente aos estádios portugueses, há que melhorar o espetáculo produzido. Caso contrário, as pessoas vão deixar-se ficar pelo conforto do sofá.

É inconcebível que 8 equipas da liga portuguesa apresentem, nesta altura, uma média inferior a um golo por jogo. É preciso que as equipas tenham outro tipo de produção ofensiva, que marquem mais golos e façam valer o preço, já de si elevado (outra questão que merece reflexão: é preferível ter um adepto que paga 20€ ou dois que pagam 10€?) dos bilhetes.

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Sem uma mudança de mentalidade, vamos continuar a ver equipas sem patrocínios nas camisolas (uma cruel realidade que afeta equipas da Liga) e com o mínimo interesse para os adeptos do futebol. E numa altura em que se fala da centralização dos direitos televisivos do campeonato português, como se poderá criar valor e obter as receitas desejadas, se a qualidade de mais de 70% dos jogos deixa muito a desejar? Há que beneficiar o espetáculo e não o mau futebol.

É certo que as equipas jogam com as armas que têm e nem todas terão dinheiro e jogadores com a qualidade necessária para fazer brilharetes. Mas isso não as impede de serem mais ambiciosas e competitivas. E neste aspeto, o facto de só descerem dois clubes de divisão, numa Liga alargada a 18 equipas, fere a competitividade da mesma, porque muitos clubes que apenas jogam para a manutenção garantem a tranquilidade muito cedo.

Olhando para as ligas europeias com 18 ou mais equipas, em nenhuma descem tão poucas equipas. E tal como se fomenta a competitividade com luta pelo título e por lugares europeus a 5/6 emblemas, a luta pela sobrevivência também deveria ser “agitada” com um maior número de descidas (4). Porque sem emoção e bons espetáculos, não há futebol que resista. Aproveito para desejar um Feliz Natal a todos os leitores de Record.

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O CRAQUE - perigo à espreita

Proveniente do Chaves, onde apontou 35 golos em duas épocas e meia, o cabo-verdiano Kuca chegou ao Estoril como um verdadeiro desconhecido para a maioria dos adeptos de futebol em Portugal. Mas este estreante rapidamente saiu do anonimato para se destacar como uma das revelações do campeonato, onde já apontou 5 golos. O perigo está sempre à espreita com este médio-ofensivo rápido, que trata bem a bola e que aproveita o seu poder de desmarcação, nas alas e no centro, para faturar e dar a marcar. Com 25 anos, ainda pode sonhar mais alto.

A JOGADA - limar arestas com as B

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A implementação das equipas B foi, provavelmente, a mais positiva medida que se tomou no futebol português nos últimos anos. Deu possibilidade a uma nova geração de futebolistas portugueses, e não só, de terem o espaço competitivo necessário para evoluírem. Os resultados estão à vista, tal como o êxito da Seleção sub-21 é esclarecedor. Ainda há arestas por limar, pelo que os regulamentos, como pede o Sporting (o dramatismo é que se dispensa), podem ser aperfeiçoados. E é positivo constatar que Boavista, Académica ou Belenenses, poderão avançar com equipas secundárias. O futuro passa por aqui.

A DÚVIDA - as diferenças da agressividade

Na antecipação ao jogo de ontem entre Benfica e Sp. Braga, Jorge Jesus alertou o árbitro da partida para a agressividade, segundo ele exagerada, dos jogadores bracarenses. Não deixa de ser uma afirmação curiosa, dado que essa mesma agressividade foi uma das armas utilizadas pelas águias, com 28 faltas cometidas, para surpreender e levar de vencida um dragão mais inexperiente no clássico. Ou seja, uma estratégia comum a todas as equipas. Terá sido uma tentativa de fazer um “mind game” com o árbitro ou o adversário?

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