Provavelmente nunca saberemos a verdadeira história da venda de Roberto há dois anos. Mesmo agora, só sabemos que não sabemos porque um comunicado de um clube terceiro e uma entrevista do antigo guarda-redes do Benfica revelaram que alguém mentiu: ou em 2011, ou agora.
É uma vantagem das SAD: estão sujeitas a maior escrutínio público. A CMVM já em 2011 pedira informações sobre a venda de Roberto, voltando a fazê-lo agora. Comparando a informação de então e o comunicado de agora, fica clara a contradição do Benfica. A CMVM ou aceita ou decide que não foi prestada a informação verdadeira e completa. A consequência não deverá ser superior a uma coima.
Há opacidade em muitas transferências, nomeadamente entre o dinheiro pago por quem compra e o recebido por quem vende. Há comissões que nunca se sabe para quem vão. Os fundos de investidores são caixas negras onde se esvai o dinheiro.
O caso de Roberto tem outras caraterísticas. Mas desde o início que muita gente disse que a operação era incredível, pelo valor demasiado alto (8,6 milhões) para um guarda-redes frangueiro, com a coincidência conveniente de ser ligeiramente acima do valor de aquisição (8,5 milhões), livrando o Benfica da acusação de mau negócio. Pinto da Costa então falou de “milhões da treta”. Muitas colunas (como esta) questionaram a operação, que envolveu um clube falido.
Nunca haverá provas para pôr em causa a presunção de inocência da equipa de Vieira. Mas o que Roberto agora disse obrigou o Benfica a reconhecer que houve mais do que supúnhamos. Roberto confessou. Ao contrário do adágio: mais depressa se apanha um coxo que um mentiroso.
P.S.: Por aqui ter questionado, em 2011, a transparência da venda de Roberto, fui então processado pelo Benfica. O processo foi arquivado. As suspeitas não.