Vieira e Jesus em momento histórico

Vieira e Jesus em momento histórico

O Benfica prepara-se para festejar, amanhã, a conquista do bicampeonato. Para isso, e não contando com o desfecho do Belenenses-FC Porto, terá de vencer o V. Guimarães, uma boa equipa, que chegou a fazer sensação no começo da prova, ao alcançar em 6 jornadas das primeiras 11 o 2.º lugar da Liga, mas, independentemente da qualidade do adversário e da réplica que a equipa de Rui Vitória conseguir dar, este é o momento, o momento da galvanização, com o estádio cheio, o momento em que a motivação está no máximo e a festa tão perto.

O Benfica não pode ir amanhã para Guimarães a pensar que tem dois jogos para gerir. Na óptica do seu interesse, o Benfica tem de ir para Guimarães a pensar que, amanhã, é a grande final do campeonato e que não há… mais nenhum "jogo do título". Não o fazer, e apostar numa gestão pró-aritmética, é um risco demasiado grande. O Benfica tem de ir para Guimarães a pensar que não há mais margem de manobra – mesmo que haja – depois do jogo de domingo à tarde. O Benfica-Marítimo da última jornada deve ser pensado como um jogo de consagração e de prolongamento da festa. Não pensar assim é colocar em risco o título e, para quem tem o pássaro na mão, não pode haver hesitações no pensamento estratégico. Foi por causa de um pensamento estratégico errado, na sua visita ao Estádio da Luz, que o FC Porto comprometeu a parte mais substancial das suas aspirações.

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O Benfica acha-se muito próximo de um momento histórico, porque há 31 anos que não regista a conquista de um bicampeonato. Numa prova macrocéfala, como é a principal competição do futebol nacional, a proeza só atinge foros de significativa relevância porque, nesse arco temporal, o FC Porto passou por diversas fases, desde o começo do processo de ultrapassagem ao Benfica, para o que muito contribuiu, na parte técnica, o treinador Artur Jorge, até ao processo de consolidação de uma nova hegemonia, que durou até agora. Nessas três décadas em que o Benfica não conseguiu um único bicampeonato, o FC Porto ganhou por 20 vezes a Liga portuguesa, ficou por 7 vezes no segundo lugar e só em 3 ocasiões desceu ao 3.º lugar. É por causa deste "mar azul" que uma vitória amanhã em Guimarães coloca o Benfica de regresso aos tempos de Fernando Martins e Eriksson e é por causa desta provável viragem que o facto deve ser assinalado e interpretado.

É importante não esquecer que, desde que foi eleito presidente do Benfica, em 2003, Luís Filipe Vieira já poderia ter conseguido o bicampeonato, nos anos a seguir aos títulos conquistados por Trapattoni (em 2005-06) e Jesus (em 2010-11), mas foi o FC Porto, respectivamente com Co Adriaanse e André Villas-Boas, a ganhar de novo relevo naquelas temporadas.

Quer isto dizer que se aproxima um momento muito relevante não apenas para Jorge Jesus (terceiro título de campeão no Benfica, em 6 épocas), mas principalmente para Luís Filipe Vieira. Ao fim de 12 anos de presidência, um bicampeonato não é muito mas representa alguma coisa se considerarmos o domínio do FC Porto nas últimas duas décadas do futebol português, durante as quais só perdeu 6 campeonatos (dois, quase três para o Benfica; dois para o Sporting e um para o Boavista).

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E é aqui, independentemente das incidências deste campeonato, que reside o maior mérito do Benfica. Conciliar a longevidade directiva/presidencial com a longevidade técnica. Para além das questões patrimoniais, o melhor acto de gestão de Vieira foi quando decidiu ir buscar Jorge Jesus ao Sp. Braga e o manteve à frente da equipa, em 2013, quando os seus "conselheiros" lhe indicavam o caminho contrário. Nestes 6 anos de Jesus, com uma visão competitiva moderna, o FC Porto teve 6 treinadores e o Sporting 10. Aí está uma razão através da qual fica explicada muita coisa.

NOTA - O "Mr (Green) Bean da Queimada", um dos piores jogadores da história do Sporting de todos os tempos, deve estar impante com o servicinho que fez para correr com o treinador Marco Silva. Faz bem Marco Silva em não se misturar com gente que – como diz Manuel José – não presta para nada. Só é pena que Bruno de Carvalho tenha dado boleia a um péssimo humorista com a mania que é intelectual. O resto é dor de cotovelo dos tempos de antanho. E se Bruno de Carvalho não for buscar, para o lugar de Marco Silva, alguém suficientemente renomado e qualificado para quebrar o efeito da saída de um dos mais sustentados treinadores do futebol português – e só vejo um em Portugal… – ainda se vai arrepender de não ter percebido o essencial e de se ter deixado enlear pelo "canto da… piranha".

Jardim das estrelas -- 5 estrelas

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Tecnologia com Duque

A final da Taça da Liga vai contar com a tecnologia da linha de golo, provando-se que, quando as pessoas querem, as obras acontecem.O actual sistema de arbitragem, não obstante a profissionalização e aperfeiçoamento de recursos, já não dá resposta às exigências do jogo, em termos da sua regulação. A tecnologia não resolve todas as questões da Verdade Desportiva, mas pode ser um precioso auxiliar, se bem utilizada. O futebol não precisa da tecnologia para todas as situações, mas precisa da tecnologia para tirar dúvidas sobre momentos cruciais. A utilização da tecnologia deve ser selectiva, mas é um erro continuar a evitá-la quando as sociedades já não prescindem dela.

Passo seguinte: a introdução da figura do vídeo-árbitro.

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Duque pode ter entrado na Liga através de um processo inquinado. Mas entrou, também, na história do futebol português.

O cacto -- Donos das cidades?

No Desporto como na vida é preciso saber ganhar e saber perder. Infelizmente são raros esses exemplos. E são raros porque são mínimas as situações em que os dirigentes desportivos se colocam numa posição de tolerância e fair-play perante os adversários. As recentes palavras do presidente da AG do V. Guimarães sobre a recomendação feita aos benfiquistas no sentido de não festejarem a eventual conquista do título na Cidade-Berço são de uma insolência tremenda. Já não bastava dirigentes eleitos a arvorarem-se em donos dos clubes; agora temos dirigentes eleitos a arvorarem-se em donos das cidades. Irra!

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