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A derrota do Benfica em Aveiro deixou os seus adeptos em estado de choque e fez com que de imediato um enorme coro de vozes críticas se fizesse ouvir. Nas redes sociais logo houve quem dissesse que aquilo (o Benfica) tinha sido um montão de equívocos tácticos, que o treinador tinha "mexido" mal nela e – pasme-se! - houve mesmo quem pedisse à direcção que tratasse de arranjar treinador para a próxima época, dando já esta como perdida.
Obviamente que este "estado de alma" é explicável e em parte compreensível. Os resultados têm sido maus e as exibições fraquinhas, o que aviva as recordações de um passado recente que, quer se queira quer não, ainda está bem vivo na memória dos benfiquistas. Um passado que tem nome: Jorge Jesus.
Nestes momentos, na derrota, ninguém se lembra de que no Benfica já não há Enzo, Lima ou Maxi ou que Luisão tem mais um ano nas pernas (a propósito, não será tempo de considerar a passagem do "capitão" para uma função na estrutura?), que Mitroglou e Jiménez estão a começar a conhecer os cantos à casa no Seixal e que a pré-época decorreu da forma como decorreu por se privilegiar a componente financeira em vez da desportiva. Há que encontrar um culpado e o alvo mais fácil é – sempre – o treinador.
Bem fez, por isso, Luis Filipe Vieira ao aparecer ao lado de Rui Vitória no final da partida com o Arouca, manifestando apoio ao treinador que, obviamente, foi a sua escolha pessoal. E se tivesse acompanhado a comitiva no autocarro na viagem de regresso teria sido perfeito. Mas creio que isto não basta. Vieira precisa de liquidar definitivamente o "fantasma" JJ.
E para isso tem no mínimo de dar a Rui Vitória as mesmas condições (leia-se jogadores) que deu ao anterior treinador, até porque os seus adversários directos trataram de reforçar-se e bem.
Mas não basta. É forçoso que Vieira coloque um ponto final na "guerrilha" que, se não ele, outros por ele têm vindo a travar com o anterior treinador. Pedidos de indemnização, trocas de "sms" e outras "bocas" afins que diariamente surgem na comunicação social apenas têm servido para manter acesa uma "chama" que já deveria ter sido apagada.
Quanto mais a ele se referirem, mais desgaste se provoca em Rui Vitória, mais se faz crescer a desconfiança nele, mais se o fragiliza e menos aceitável e compreensível se torna qualquer desaire.
Jorge Jesus optou por aquilo que julgou ser o melhor para si, seguiu o seu caminho e é treinador do Sporting. Ponto final.
Julgo, portanto, que o silêncio deveria ser obrigatório. Cabe a Luis Filipe Vieira impô-lo!