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Viver sem Nani

Viver sem Nani

1 O Sporting alcançou ontem no Bessa uma vitória com sabor a derrota, caso se confirme o pior cenário. Apesar do triunfo eloquente sobre o Boavista, os leões correm o sério risco de ficar durante longo período sem o seu jogador mais valioso. A perda de Nani, a confirmar-se, é pura e simplesmente irreparável, como se percebeu pelo semblante de Marco Silva no momento em que o internacional português, lesionado, solicitou a substituição.

Em vésperas de decidir a permanência na Liga dos Campeões, frente ao Chelsea, e com a obrigação, no plano interno, de diminuir a desvantagem para os rivais, resta ao Sporting reaprender a viver sem o seu elo mais forte, praticamente o único que lhe dá uma dimensão superlativa.

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2 Numa reportagem publicada no Record, na edição da última quinta-feira, Joaquim Evangelista colocou o dedo na ferida quando o assunto foi a aposta do Benfica nos jogadores mais jovens. O presidente do Sindicato dos Jogadores levantou uma questão cuja pertinência é indesmentível: “Há quanto tempo o presidente do Benfica diz que vai apostar na formação?”. A pergunta, com o seu quê de retórica, entronca, no entanto, numa outra expressão que Toni tornou lapidar numa fase em que já deixara de ser feliz na Luz: “No Benfica não há tempo para pedir tempo”.

Luís Filipe Vieira, que voltou a agitar a bandeira da formação logo após o recente fracasso europeu, até pode – depois de uma década a dizer uma coisa e a fazer outra – ter voltado a convencer-se que este é o caminho para alimentar o plantel principal, mas qualquer treinador traquejado e com o mínimo de personalidade vai dissuadi-lo rapidamente de prosseguir com esta campanha utópica, embora irrepreensível do ponto de vista político. O Benfica tem de ser campeão hoje mas nunca conseguirá sê-lo tendo como base jogadores de amanhã. Serão meras exceções que confirmam a regra aqueles que conseguirem deixar o Seixal e protagonizarem um percurso com mais de um par de anos na equipa principal.

Por razões de vária ordem, algumas delas relacionadas com as próprias ambições financeiras dos futuros craques, o melhor que o Benfica poderá aspirar é repetir os episódios recentes e que tiveram André Gomes, e o futuro dirá se também Bernardo Silva e João Cancelo, como personagens principais.

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