A maravilhosa seleção espanhola não é uma seleção nacional, é uma federação de seleções nacionais.
Ao insensível imperial do toma, toma e siga de Madrid, junta-se o elegante perfume catalão, carregado de aromas da Flandres.
À lei da gravidade de Madrid, que permite o esmagamento, o passar dos séculos deixou somar a relatividade da arte dos Dalis, Gaudis, Cruyffs, para exaltação de uma grande confederação de nações a que só nós escapámos, aquém Pirenéus.
Ver o que aquela plêiade de jogadores fez da grande Itália – também ela fruto de unificação com pouco mais de um século –, faz-nos projetar a hipótese improvável de um onze que juntasse os melhores portugueses e catalães.
Que sonho seria ver Ronaldo servido por Xavi e Iniesta. E o bamboleante Busquets dar lugar ao virtuoso Moutinho. E esta equipa de sonho poderia até ser liderada pelo enorme Mourinho, insensível que seria às críticas de Cruyff, de quem é émulo superlativo no século 21.
E Lisboa, Macau, Luanda, Barcelona rejubilariam com esse brilho extremo, quase buraco negro.
Mas Portugal e a Catalunha tiveram destinos opostos. Um foi sujeito à lei da gravidade de Madrid e virou-se para norte. O outro, nós, no mesmo ano de 1640, graças a isso, voltou a ter asas para voar, que sempre molhou no Atlântico, antes de dedilhar um fado.