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Ricardo Costa
Ricardo Costa Deputado

Para além do dérbi e do futebol

No domingo passado, disputou-se mais um dérbi minhoto. O jogo 159 em todas as competições oficiais, entre Vitória e Sporting de Braga. O D. Afonso Henriques acolheu a maior enchente da época, contabilizando 28.133 adeptos, que acorreram ao estádio numa atmosfera vibrante, alimentada pela grande paixão e rivalidade desportivas entre os dois emblemas.

O resultado foi uma efetiva divisão de pontos, num empate sem golos. Mas quem, como eu, esteve no estádio, viu um Vitória dominador durante quase todo o tempo de jogo, dispondo das melhores e maiores ocasiões de golo. As estatísticas sobre o jogo disso dão nota clara. Só por alguma má fortuna o Vitória não conseguiu os três pontos, que permitiriam encurtar distâncias para os lugares acima na classificação.

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A grandeza destes dérbis, entre conquistadores e guerreiros, é inegável e é um reflexo de uma crescente descentralização do protagonismo futebolístico nacional, que sempre gravitou em torno dos ditos 'três grandes'. É a afirmação de que a região e, em particular, o distrito de Braga têm uma voz própria, comprovando que a força do futebol é muito mais do que Lisboa e Porto. O quadrilátero urbano formado por Guimarães, Braga, Vila Nova de Famalicão e Barcelos, com cinco clubes na Liga Portugal, só encontra rival no distrito de Lisboa, que conta, também, com cinco clubes na Liga. O Porto está representado por quatro clubes.

Mas esta relevância da região não aparece no vácuo e espelha, antes do mais, uma crescente e preponderante dinâmica social e económica. O distrito de Braga, com uma população que se aproxima dos 900 mil habitantes, tem uma das maiores demografias do país. O quadrilátero urbano, com cerca de 620 mil habitantes, consolida-se enquanto geografia policêntrica de concentração urbana, de conhecimento e um potencial competitivo de inovação e internacionalização únicos em Portugal.

O distrito de Braga é, consistentemente, no futebol e em muitas outras áreas da vida, uma potência nacional, e até internacional. Mas ainda parece distante do seu merecido lugar na partilha do poder e das decisões, por conta do centralismo que ainda nos ensombra.

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Nota final: Para fechar deixo uma nota final de pesar pelo falecimento de Jorge Nuno Pinto da Costa, uma figura tão controversa como incontornável, que elevou o seu clube e o futebol português a um outro patamar internacional.

Por Ricardo Costa
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