Ricardo Costa
Ricardo Costa Deputado

Um jogo que marca a história

Na última jornada, o D. Afonso Henriques foi palco do melhor jogo da Liga Portugal desta temporada, até ao momento. No arrepio de uma noite de inverno, conquistadores e leões defrontaram-se diante do calor de mais de 26 mil adeptos. Desde o apito inicial, percebi que o jogo ia ser frenético, tal como num thriller de Hitchcock que nos prende às imagens em movimento, desde o primeiro ao último minuto, e nos faz saltar da cadeira.

O suspense adensou-se com a espetacularidade dos últimos minutos, num sobressalto de emoções pela intensidade do jogo e pela abundância de golos. Naquela costumeira prática, quem saiu alguns minutos antes, para evitar maiores confusões e chegar ligeiro a casa, perdeu um clímax inusitado, que nem Hollywood seria capaz de replicar.

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No seu ritual inicial, ainda o D. Afonso Henriques cantava a plenos pulmões os versos do hino "Sou Vitória" e um sueco à solta marca o primeiro. O campeão nacional parecia querer puxar dos galões, mas os jogadores do Vitória não estavam para facilitar e, aos 7 minutos, num pontapé livre exímio, Tiago Silva igualou o marcador. Jogando sempre de olhos nos olhos, o Vitória cedeu mais dois golos, aos 14 e aos 55 minutos, perante a frieza do avançado sueco.

A partir desse momento, a alma conquistadora e a "sede de vencer", no campo e nas bancadas, vergou o adversário e, em poucos minutos, deu-se uma "remontada" imprópria para cardíacos, com golos de Kaio César (69 min), João Mendes (82 min) e Michel (85 min). O estádio foi tomado por uma emoção quase hipnótica, transbordando em cânticos, frenesim e colorido. No último minuto dos descontos chegou o azar do empate fora de horas que, desafortunadamente, tem acompanhado o Vitória durante esta temporada. Finalizado o jogo e esvaziada a emoção, as estatísticas finais do jogo também não enganam e, pese embora o empate final, o Vitória foi mesmo a melhor equipa em campo.

No futebol comentado entre adeptos à saída do estádio, percebia-se a emoção dos vitorianos pelo excelente desempenho da equipa, não obstante o travo amargo deixado pelo resultado final. Como "a bola é redonda", tudo é contingente, e recordando Albert Camus, renomado escritor e filósofo franco-argelino, "aprendi que uma bola nunca vem da direção que estamos à espera. Isso ajudou-me na vida, mais tarde." O futebol é, também, isto mesmo: uma paixão pela incerteza que nos prepara para as inconstâncias da vida.

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Guimarães tem no Vitória e nos vitorianos um diapasão de resiliência, de união, de força e de uma inquebrantável "sede de vencer" que nos torna irrepetíveis e, ao mesmo tempo, um modelo a seguir. Este diapasão, diria mais, não se circunscreve apenas ao futebol e estende-se, ecleticamente, pela cultura, pelo ambiente, pela educação, pela ciência, pela economia... em que, reconhecidamente, "Guimarães Marca".

Por Ricardo Costa
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