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Estamos a comemorar os cinquenta anos do vinte cinco de abril, uma efeméride de afirmação de um povo na defesa da democracia. Ao longo destes cinquenta anos a sociedade portuguesa amadureceu e protegeu o ideal de abril, que assenta no valor da liberdade. Muito se tem falado dos valores de abril, como fundamento dos direitos e das garantias individuais e que levaram à construção de uma sociedade portuguesa aberta para o mundo, cosmopolita e desenvolvida.
Ao longo deste tempo também o desporto se afirmou sendo reconhecido, pelo poder político e por todos nós, como uma atividade humana que, possuindo um conjunto de valores, contribui para afirmação de uma sociedade mais humana, coesa, que defende os seus valores identitários e o seu bem-estar. Desde logo através do direito ao desporto, consagrado na Constituição Portuguesa, no artigo 79.º, e na Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto. Para além do valor do direto, o desporto transporta consigo outros valores de abril como afirmação da liberdade, esta entendida como desígnio da realização humana pois o desporto ajuda o homem a realizar-se. Também valores como o respeito pelo outro e pela diferença ou aceitar o adversário tal como ele é. Por estes valores, o desporto ensina-nos e ajuda-nos a compreender que podemos ser melhores, no jogo como na vida, com ajuda dos outros que até podem pensar e viver de forma diferente. Os valores da transparência, da amizade "Leva um amigo também…", valores que abril afirmou e que o desporto promove. Por fim, para que este espírito de abril prevaleça e se mantenha temos de o "proteger" de ameaças como os extremismos ou populismos, tal como no desporto, da utilização do desporto como propaganda política, da violência, ou falta de transparência. Por isso, são os valores o fundamento quer da democracia quer do desporto. É caso para afirmar: valores sempre!
Coordenador do PNED
Por José Carlos Lima