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Carlos Ribeiro
Carlos Ribeiro Professor Universitário

A caixa de Pandora

Há opções e decisões que marcam épocas. Há outras que as condicionam antes mesmo de começarem a ser jogadas. Escrevi aqui mesmo, em setembro, que “de um presidente não se espera que condicione a sua permanência a um 5.º lugar, meses após as eleições.”  

Mantenho a convicção de que os mandatos não se interrompem, a não ser por um motivo grave que coloque em causa a confiança dos adeptos ou que resulte de uma interpretação e leitura da direção perante um determinado contexto. 

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Posto isto, voltámos ao ponto de partida. António M. Cardoso abriu a caixa de Pandora e, tal como na mitologia, já não foi a tempo de a fechar. Não sei se dentro ainda ficou a esperança, mas sei que fora ficou o problema que não pode ignorar. 

Ainda que possamos agarrar-nos à matemática, o 5.º lugar parece cada vez mais distante – a 10 pontos de duas equipas e a 5 e 3 de duas outras. Se a isto juntarmos a gestão errática de jogadores/treinadores, a desconfiança generalizada, mas, acima de tudo, a tal caixa de Pandora aberta, o presidente terá de reconhecer que este será tempo de clarificação e não de adiamento de decisões que prolongariam um clima de instabilidade que não serve a ninguém e que, ainda, poderia pôr em causa a próxima época.  

António M. Cardoso tem toda a legitimidade para se recandidatar. Mas, antes disso, tem a responsabilidade de ser consequente com aquilo que disse, mas também de ter uma leitura das consequências tardias da decisão. Depois, como sempre, cabe aos sócios a decisão.

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Por Carlos Ribeiro
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