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O jogo em Alvalade acabou por ser o espelho de uma época que, muito antes de terminar, já parecia definida. Os receios eram muitos e confirmaram-se quase todos. Ao ponto de até a conquista de um título acabar remetida para segundo plano, injustamente, porque merecia ter sido celebrada de outra forma.
Nesta altura, seria fácil cair no conformismo: esperar que a época acabe com dignidade e começar a preparar a próxima. O problema é que a próxima temporada não será construída em terreno limpo. Se a anterior foi preparada atirando pedras para o caminho, esta arranca a tentar removê-las.
Com eleições marcadas para 13 de junho, em plena fase de planeamento desportivo, financeiro e estrutural, ninguém pode prometer milagres imediatos. O próximo presidente encontrará um clube exigente, pressionado e com pouco tempo para errar. A expetativa terá de ser acompanhada de realismo.
Caberá aos associados perceber quem apresenta ideias concretas, uma equipa preparada e noção da realidade. Não vale a pena procurar aquilo que historicamente nunca quisemos encontrar, nem desejar agora o que tantas vezes rejeitámos.
Queiramos a verdade e a realidade. Atentemos mais às propostas concretas do que ao que nos dizem ou ouvimos dizer. Procuremos ler, e não que nos leiam. Queiramos ser esclarecidos pela voz de quem o deve fazer e menos por aqueles que insistem em traduções simplistas daquilo que é complexo.
O passado explica muita coisa. Mas é o futuro que exige coragem, exigência e também maturidade.
Por Carlos Ribeiro