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O pior sentimento que se pode instalar num clube não é a derrota. É o conformismo. A normalização da mediocridade. Entrar para um jogo já com a sensação de que, aconteça o que acontecer, nada surpreende. Que perder pontos é apenas mais um capítulo rotineiro.
Foi difícil não sentir isso frente ao Casa Pia. Partiu-se para o jogo com desconfiança, saiu-se com desencanto. E talvez o mais preocupante nem seja o resultado, mas a apatia que ele já não provoca. Como se nos tivéssemos ido habituando, pouco a pouco, àquilo que não somos. Ou pior, àquilo que deixámos de conseguir ser.
O conformismo é perigoso porque anda de mãos dadas com a ilusão. A ilusão de que tudo se resolve com uma mudança de rosto, uma promessa bem-dita ou um discurso mobilizador. Não. O choque com a realidade tem de ser assumido sem filtros.
O ato eleitoral que se aproxima merece, desde logo, respeito por quem avança. Num clube exigente, exposto e emocionalmente carregado, candidatar-se exige coragem. Mas coragem, sozinha, não basta. É preciso realismo. Verdade. Competência. E noção clara de que já não há margem para experimentalismos.
O Vitória faz lembrar aqueles jogos em que se foram gastando vidas extra até surgir o aviso inevitável: game over. Ainda não chegámos aí. Mas ignorar o ecrã seria irresponsável.
Mais do que promessas, o clube precisa de recuperar identidade, exigência e rumo. Porque o verdadeiro perigo não é perder. É aceitar perder como se fosse natural.
Por Carlos Ribeiro