_
Se eu levasse a numerologia a sério, diria que a crónica 45 traz um sinal de reinício. A tal soma dos dígitos, o “nove fora nada”, essa matemática de café que, convenhamos, tem tanto rigor como a forma como tantas vezes se tem gerido o Vitória ao longo dos anos.
Nas últimas semanas falei de uma montanha-russa. Não era figura de estilo. É o retrato fiel de um clube que vai para o sexto presidente em 22 anos. Sem paralelo entre quem ambiciona mais do que sobreviver. E quando quatro dos últimos sete nem chegam ao fim do mandato, talvez o problema já não seja apenas de nomes. Desde logo, será nosso - e também das nossas escolhas.
Vi a conferência de demissão de António Miguel Cardoso. E, mais do que números e recordes, ficou a sensação de que faltou o essencial: verdade. Não a estatística conveniente, mas o contexto. Não o que correu bem em rodapé, mas o que falhou em letras grandes.
Entramos agora, outra vez, em modo eleitoral. E peço pouco, mas peço difícil. Respeito máximo por quem se apresentar ao escrutínio, com coragem e propostas sérias. E, sobretudo, verdade. Da direção que sai, desde logo na fotografia financeira do clube. E dos candidatos que entram, sem promessas vazias nem cenários de ficção.
O dia 13 de junho ainda vem longe, mas o tempo útil é agora. Quem lidera tem a obrigação de esclarecer. Quem quer liderar tem o dever de não iludir. Tudo o que fuja disto será apenas uma campanha em modo espacial - bonita no discurso, distante da realidade. E o Vitória precisa de chão.