O apito final de François Letexier ainda ecoava no Emirates e Mikel Arteta, dirigindo-se a Rui Borges de mão esticada, soltou um suspiro de alívio. O gesto espontâneo disse tudo. O espanhol sentiu a ameaça de um leão que nunca se rendeu. E essa reação do timoneiro de um Arsenal que passou todos os rivais a ferro em casa na Liga dos Campeões eleva o Sporting a um patamar de reconhecimento impensável no início da época. A força dos gunners não permitia imaginar uma eliminatória de quartos-de-final da Liga dos Campeões com o bicampeão português a cair, mas registando mais remates enquadrados que o rival inglês e acabando Rui Silva por sair de Londres com apenas uma defesa realizada. As meias-finais nunca foram uma miragem, mas o Sporting tinha de soltar os génios, de ser contundente e beneficiar de algum rasgo de qualidade perante a baliza. Os leões foram disciplinados, porfiaram, mas nem no derradeiro remate de João Simões houve uma luz verde divina a encaminhar a bola. Quem atinge semelhante estatuto na Champions tem de o proteger, pelo que após a saída de cena com o Arsenal ganha ainda maior relevo o dérbi de domingo frente ao Benfica, um oponente que há várias semanas consegue concentrar as energias apenas no campeonato.