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Carlos Ribeiro
Carlos Ribeiro Professor Universitário

Trocar sem mudar nada

Dois jogos, duas derrotas após as alterações no comando técnico do Vitória. Nas equipas A e B. Embora factual, diz zero sobre a competência dos treinadores, apanhados na turbulência das decisões. Contudo, continua a dizer muito sobre como se gere o futebol e alimenta-se esta roda-viva difícil de acompanhar, onde se muda quase sempre antes de se perceber verdadeiramente o problema.

O momento da época e tudo o que dela se extrai talvez fossem a altura certa para discutir o que queremos e para onde queremos ir. A discussão que nunca gostamos de ter e que adiamos vezes sem conta, agarrados a um imobilismo que já não se pode confundir com estabilidade. O silêncio é, não raras vezes, ensurdecedor - e, pior, confortável.

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A pausa no campeonato não ajuda, num momento em que preferíamos acelerar rumo ao fim de uma época turbulenta, na forma como começou e como ameaça terminar. Houve, pelo meio, a alegria de um troféu, mas também a sensação de que não houve continuidade nem aprendizagem suficiente para sustentar ambição.

No último fim-de-semana, erros individuais voltaram a ditar o resultado. Mas reduzir tudo a isso é curto. Que a pausa para seleções traga mais do que descanso; traga lucidez. Mas essa lucidez tem de ser acompanhada por decisões com critério, visão e coragem. Caso contrário, voltaremos ao mesmo ponto: reagir em vez de construir, trocar em vez de evoluir. E assim, o tempo vai passando e a oportunidade também.

Por Carlos Ribeiro
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