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Manuel Boto
Manuel Boto

Pior que perder, é ter atitude de equipa pequena

Estou amargo, confesso! Passaram quase 12 horas desde que acabou o jogo de Alvalade e, sinceramente, não consigo digerir a derrota. Perder é um dos 3 resultados possíveis em qualquer jogo entre Sporting e Benfica pelo que não é a derrota que me aflige – foi a forma como abordámos o jogo.

Segundo Jesus, os advogados e arquitetos não podem falar de futebol porque "nada percebem". Sendo eu formado em Gestão de Empresas (Finanças) devo estar englobado neste grupo de intelectuais que nunca calçaram chuteiras a não ser para jogos entre amigos. Mas não vou falar de futebol, vou falar de um tema que entendo poder falar: a atitude com que se aborda um desafio na vida, seja futebol ou outro qualquer.

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Estamos na presença de duas equipas equilibradas, em teoria. Mas só em teoria por que nos Orçamentos, a do Benfica deve valer o dobro da do Sporting. Já sei que em futebol há jogo para lá do dinheiro – mas não haverá assim tanto jogo porque nos últimos 10 anos as Champions são ganhas apenas pelos "tubarões"…

Dizia eu, que ia falar da atitude. Para não fazer perder tempo a quem lê, então aqui vai: qual a razão pela qual Jesus imitou a tática de Ruben Amorim na abordagem do jogo de ontem? A resposta é simples: por medo!

Obviamente que os jogadores, ao entrarem em campo, sentindo o medo do treinador, transmitiram esse medo, sempre receosos de desguarnecer a defesa, de afrontar a estratégia de contenção que durante a semana foi treinada, certamente ao detalhe. Resultado? Benfica fez escassos 5 remates todo o jogo, apenas 1 de relativo perigo (Darwin 46’).

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Ou seja, uma equipa que tem um padrão de jogo, bom ou mau – o seu padrão de jogo, trabalhado por Jesus toda a época, vai mudar para um jogo em que tem forçosamente de ganhar, dados os 6 pontos de atraso para com o Sporting (e 2 para o FC Porto)? De futebol sei que nada percebo (segundo a teoria de Jesus), mas de psicologia – trabalhar cerca de 40 anos com pessoas, quase sempre em posições de liderança, algo me ensinou. Os receios, os medos transmitem-se dos líderes para os executores das estratégias.

Entrámos como uma equipa pequena em Alvalade ao moldarmo-nos ao jogo de Ruben Amorim. Este sentindo o medo, procurou manter sempre o seu modelo de jogo "vertical" que sabia inquietar e aumentar receios no Benfica. Teve sorte, teve "estrelinha" o Sporting? A sorte procura-se, a "estrelinha" recompensa os competentes, os que porfiam pelos seus objetivos, acreditando até ao fim.

Agora? Estamos a 9 pontos, há muito campeonato. Vem aí um tal Lucas Veríssimo, o sistema dos 3 defesas se calhar até é para o integrar. Falta mais de uma volta para acabar o campeonato e disse João de Deus "não atiramos a toalha ao chão". Nem se esperava outra atitude, mas ousar lutar, ousar vencer – como fizemos e bem no Dragão, ajuda muito.

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Até aqui não falei de LFV, vencedor das eleições. Também não me quero alongar muito a falar em quem montou uma equipa para ganhar eleições e não para ganhar títulos!

PS – um desejo final muito sincero: as rápidas melhoras de Jesus! Muito mais importante que o texto supra é o seu rápido restabelecimento.

Manuel Boto, Sócio nº 2794

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Por Manuel Boto
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