Paulo Vinícius Coelho
Paulo Vinícius Coelho Jornalista

Brasil troca Abel pelo novo Artur Jorge

Confesso que quando ouvi pela primeira vez o nome de Artur Jorge, ainda como técnico do Braga, pensei no treinador do Porto, campeão da Europa em 1987. Para o brasileiro desta minha faixa de idade, filho de pai lisboeta, era muito valioso ouvir aquela transmissão de Viena pelo rádio, em São Paulo. "Gooool!"

De Juary!!!" E o treinador, ora, era o velho Artur Jorge, ídolo de meu tio António, quando jogador do Benfica, e que me atendeu já como jornalista em minha primeira viagem à França, quando treinava Valdo, Ricardo Gomes e Raí no Paris Saint-Germain.

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Depois, ainda no Braga, descobri que este Artur Jorge, de imenso sucesso no Botafogo, não tinha nada a ver com o histórico técnico campeão pelo Porto. Nem mesmo tem seu nome em homenagem ao Artur Jorge. Logo a seguir, soube do interesse de John Textor em trazê-lo ao Brasil e pensei: "O Braga não o vai liberar no meio da época." E não queria mesmo, mas o novo Artur foi turrão, rompeu seu contrato e veio ao Rio.

O gajo está a trabalhar tão bem, mas tão bem, que alguns adeptos do Palmeiras passaram a questionar se o sucesso de Abel Ferreira já é passado, porque está em andamento uma troca de guardas.

O Palmeiras, bicampeão, pode dar lugar ao Botafogo, que não ganha a liga há 29 anos. Abel, o treinador que virou ídolo, está a ser sucedido pelo novo Artur Jorge.

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Seu Botafogo é apontado como o time mais europeu do Brasil, pela velocidade de seu jogo e do pensamento de seus jogadores. Luiz Henrique, Almada, Savarino e Igor Jesus não guardam posição, movimentam-se todo o tempo. O time é vertical, nada da posse de bola obsessiva de Guardiola. Como Abel, Artur parece muito mais influenciado por Mourinho.

Até porque José, diferentemente de Josep, e do velho Artur Jorge, é o mais influente treinador português de todas as épocas.

O campeonato não está decidido por aqui, mas já se sabe que pela quarta vez será vencido por um português. Foi Jorge Jesus, em 2019, Abel Ferreira em 2022 e 2023. Se, em Portugal, 60% dos técnicos campeões eram estrangeiros até 2006, quando o holandês Co Adriaanse venceu pelo Porto, e se depois só Roger Schmidt foi capaz de vencer os portugueses na Liga, aqui no Brasil sempre foi diferente.

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Só o argentino Carlos Volante, pelo Bahia, 1959, foi capaz de superar os treinadores brasileiros antes do domínio português, de Jorge Jesus, Abel Ferreira e, quem sabe, o novo Artur Jorge.

O gajo é bom. Se for campeão o Botafogo, mérito todo seu. Mas não nos esqueçamos de seguir dando os parabéns a Abel. Se trabalhar uma época inteira no Brasil é difícil, imagine ter sucesso por quatro épocas consecutivas, como o treinador do Palmeiras.

Agora, por aqui, é tempo de chamá-lo de "uma besta", pois bestial está a ser o novo Artur Jorge. Não percebemos que as bestas somos nós, os brasileiros, que trocamos mais de treinadores do que de roupas íntimas, como nos disse Jurgen Klopp.

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Por Paulo Vinícius Coelho
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