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Foram noventa minutos para fazer história. E a forma como os Guerreiros do Minho se bateram na Alemanha não pode deixar nenhum adepto descontente.
Foram, verdadeiramente, guerreiros até ao fim.
Mesmo jogando praticamente todo o encontro com menos um jogador, o Braga nunca deixou de acreditar. Para mim, esse foi o momento decisivo da eliminatória. A expulsão de Dorgeles aos sete minutos alterou completamente o rumo do jogo e obrigou a equipa a um desgaste físico e emocional enorme.
Ainda assim, nunca vimos um Braga inferior. Pelo contrário. Em muitos momentos, mesmo reduzido a dez jogadores, o SC Braga demonstrou personalidade, organização e até superioridade perante o Friburgo. E isso deixa inevitavelmente um sentimento agridoce: a sensação de que podíamos estar no próximo dia 20, em Istambul, a disputar a final da Liga Europa.
Mas o futebol também é isto. Nem sempre a vontade, a entrega e a qualidade chegam para concretizar um sonho.
No final, ficaram as palavras de António Salvador, prometendo que não serão precisos mais 15 anos para o Braga voltar a discutir o acesso a uma final europeia. E olhando para aquilo que este clube tem construído, dentro e fora de campo, há razões para acreditar nisso.
Esta caminhada europeia voltou a colocar o Braga entre os clubes respeitados do futebol europeu. Voltou a mostrar uma equipa capaz de competir em qualquer estádio e perante qualquer adversário.
No campeonato, o empate a duas bolas na Luz frente ao Benfica confirmou matematicamente o quarto lugar. Como já aqui referi várias vezes, esse é o mínimo aceitável para uma equipa com esta qualidade e esta ambição.
Mas esta época europeia mostrou também outra coisa: o Braga já não sonha apenas em participar. Sonha em conquistar. E isso muda tudo.
Por Ricardo Costa