Não há fome que não dê em fartura
Anos atrás, preocupado com a escassez de laterais portugueses de bom nível, o selecionador Carlos Queiroz chegou a pensar nos então defesas do Manchester United, os gémeos Rafael e Fábio Silva, jovens brasileiros que poderiam eventualmente obter a dupla nacionalidade mas que acabariam, no início da presente década, por alinhar pela seleção canarinha. Pois não há fome que não dê em fartura, uma vez que fomos campeões europeus com Cédric e Vieirinha, no Mundial tivemos Ricardo Pereira, avançámos (finalmente!) com João Cancelo, deixámos de fora um "patinho feio", André Almeida, e de fora tem ficado Nelson Semedo – no sábado, titular do Barça frente ao Atlético de Madrid, ah, pois é! – e já nos esquecemos até de João Pereira, o lateral preferido de Paulo Bento na Seleção, que ontem vimos no onze inicial dos turcos do Trabzonspor e que fez o centro "milimétrico" para o golpe de cabeça com que Novak abriu o marcador, na vitória (2-1) sobre o Fenerbahçe. Se há dez anos havia carência de laterais selecionáveis, hoje, só do lado direito há pelo menos sete (!), um sinal extraordinário (mais um) de quanto cresceu o futebol português.
