Canto direto

Alexandre Pais
Alexandre Pais Ex-Diretor Record

A cambada

De cada vez que apontamos o dedo a alguém, há três que apontam para nós. Esta lição não foi dada por um filósofo, um mentor espiritual ou um comentador do fenómeno desportivo, mas por homem simples que sabe que o seu trabalho é de treinador de futebol e não de incendiário. E que tem a lucidez de perceber que é preciso travar a fundo nesta ridícula, boçal, insistente e perigosa parada e resposta de uma verborreia irracional, geradora da violência que cresce na proporção direta com que afasta o público dos campos de jogo. Refiro-me a Rui Vitória, cujo discurso tantas vezes redundante é criticado, mas que opõe o bom senso e a capacidade de pensar ao delírio e à sanha persecutória da cambada.

As cenas de violência dentro e fora dos recintos desportivos – interpretadas por arruaceiros e por vezes por autênticos bandidos – não acontecem por culpa dos protagonistas do jogo. Tão pouco devem ser assacadas aos jornalistas, meros espectadores da realidade, ou aos agentes da autoridade, que se podem ser acusados de algo é de brandura de costumes. Não, os responsáveis são os dirigentes que deviam mandar e têm medo, bem como aqueles que sobem ao poleiro prometendo às massas o que não têm condições para lhes dar e disfarçam depois os falhanços armando os braços de rivalidades doentias que matam. Como indivíduos, serão respeitáveis – embora nem todos recomendáveis – mas juntos constituem um grupo de gente de má nota, uma cambada.

1
Deixe o seu comentário

Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade
apenas 1€ por mês
experimente sem compromisso e garanta o seu lugar na bancada da melhor informação deportiva.
  • conteudo record em qualquer sítio e a toda a hora
  • acesso no pc, tablet e smartphone
  • versão e-paper do jornal no dia anterior
  • conteudos exclusivos para assinantes
  • suplementos especiais