Aos livros nunca se responde
Muitos meses atrás, fui procurado por um velho companheiro de redação que andava a escrever – mais de 40 anos depois... – um livro sobre o "25 de novembro". Depressa me apercebi que o propósito do autor não era outro do que atirar a culpa pelo fracasso dos seus ex-correligionários – branqueando-o ao mesmo tempo – para cima daqueles que se opuseram ao golpe militar. E, no meu caso, inventando até benefícios que não tive, pois era, em 1975, diretor de informação da rádio oficial, tendo sido "reestruturado" em diretor adjunto pelos artistas que desapareceram na altura dos factos e que entretanto recuperaram um lugar à mesa. O objetivo dessa obra era de tal modo parcial que foi apenas promovida, em breves minutos e pelos amigalhaços, num programa da RTP, e numa longa (!) entrevista ao autor – que parecia ser igualmente quem fazia as perguntas – numa publicação que vendia dois mil exemplares em banca.
