E lá se vai o "exemplo português"

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Quando tudo fazia prever que o recomeço do campeonato seria mais um passo no retorno à normalidade possível – que a crise sanitária dava sinais de permitir e a economia exige – eis que os últimos dados da DGS voltam a formar uma nuvem escura. Ela faz com que o tão propagandeado "exemplo português", que a Europa até há pouco aplaudia, comece a ser posto em causa. Não porque o desconfinamento seja demasiado rápido, uma vez que, com exceção da região de Lisboa e Vale do Tejo, os infetados diários não passam de 20 ou 30. O que estamos é a penar por décadas de uma indiferença social que permitiu o cerco da capital por dezenas de bairros degradados – como o "Jamaica" – onde, sem emprego e perspetivas de futuro, milhares de "desperados", muitos deles desempregados e a viver na miséria, descem dos esqueletos de tijolo à rua, procurando no álcool e no convívio, em cafés ilegais e festas improvisadas, um escape para a violência e uma alternativa ao crime. Devíamos agradecer-lhes.

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