O homem do coração de aço
A ingratidão é o maior sinal de falta de caráter e a solidariedade a caraterística que mais dignifica o ser humano. Por isso, o grande momento da final da Libertadores viveu-se antes do apito inicial, quando Enzo Pérez, hoje no River Plate, fez questão de atravessar o campo para abraçar Jorge Jesus, e este o beijou. Porque esse gesto teve um profundo significado. É que o médio argentino foi não só treinado pelo português, no Benfica, como participou nos dois jogos que – em cinco dias do negro maio de 2013 – podiam ter terminado com a carreira de Jesus: o do Dragão, com o golo fortuito de Kelvin, já nos descontos, que valeu um campeonato, e o do Arena de Amesterdão, com o golo de Ivanovic, aos 90+2, que deu a Liga Europa ao Chelsea. A forma como esse duro infortúnio duplo uniu para sempre o coração de dois homens – até na iminência de um confronto terrível – é uma lição de vida que o futebol dá aos seus adeptos e em especial aos seus detratores. Ah, sim, e depois houve uma final, empolgante, inesquecível.
