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A chegada de Gedson, aos 19 anos, à primeira equipa do Benfica em jogos oficiais é o certificado, mais um, do trabalho de grande qualidade que o futebol jovem do clube tem feito na última década. A consistência de Gedson pode ser comparada, não em termos estritamente futebolísticos, mas no princípio, com o brilho de Bernardo Silva no poderoso Manchester City, orgulhosamente evidenciado por Pep Guardiola no passado domingo.
Bernardo, também ele um produto do Seixal, nunca teve verdadeiras oportunidades na primeira equipa encarnada, mas nem por isso foi menos rentável aos cofres do clube, se a visão for, como foi, de curto prazo. Sucedeu com ele e com outros. O Benfica tem feito vários negócios – demasiados até, porque alguns jogadores deviam ter tido mais chances – embora pareça justo dizer que Luís Filipe Vieira parece ter encontrado um equilíbrio entre o aproveitamento continuado dos seus talentos e a necessidade que uma equipa de topo sempre tem em ter jogadores com experiência, prontos para a alta competição.
Gedson, ao contrário de Diogo Gonçalves ou outros mais voláteis, e mais na esteira de Renato Sanches ou Rúben Dias, tem tudo para se afirmar e para ser a prazo, veremos se curto ou médio, um nome até a ter em conta na Selecção A desde logo porque tem um percurso feito nas seleções jovens com mais de 50 jogos.
O Sporting, que foi durante muito tempo o principal clube da formação em Portugal, vive também neste domínio um tempo de incerteza. Os problemas não começaram agora, mas a forma como foram geridos no último mês as situações de Francisco Geraldes e João Palhinha gera uma forte apreensão. Geraldes, um virtuoso capaz de pensar o jogo como poucos jogadores em Portugal, volta a sair de cena, o que, sem dispor de todos os dados, é incompreensível. O facto de o treinador dizer uma coisa e o jogador outra é péssimo e o risco – sério – é o de o Sporting perder um talento criado na sua Academia.
Palhinha é outro tipo de jogador, mas cedê-lo a um rival direto (o Braga conta) é um ato de gestão incompreensível a todos os títulos, incluindo o facto de o atleta ter uma forte ligação ao clube num ano em que o Sporting viu sair vários jogadores da formação.
Nos grandes, o FC Porto também tem zonas de sombra. Não só a formação do clube tem sido menos produtiva, como boas decisões, como a de Diogo Leite, surgem em simultâneo com outras incompreensíveis como a venda ao preço da chuva de um avançado com as qualidades de Gonçalo Paciência que Sérgio Conceição tinha chamado em janeiro. Sem Soares e com Marega no limbo há alguma dúvida sobre a utilidade que Gonçalo teria?
Sporting, o debate incompleto
A CMTV andou bem ao promover um debate sobre o Sporting, comprovando que o canal marca hoje, em muitos domínios e em várias ocasiões, a agenda informativa em Portugal. A decisão de incluir ou não Bruno de Carvalho é legítima, mas seria sempre questionável. Mesmo sem estar no debate – e escrevo antes deste ter ocorrido – não é difícil dizer que o presidente deposto e sócio atualmente suspenso foi o elefante no meio da sala. Outras ausências são igualmente notadas e, mesmo sem conhecer as razões que podem ser muito atendíveis, é bom que todos entendam que esta campanha se vai fazer em grande parte na TV. Aliás já está a fazer-se e, nesse sentido, independentemente dos seus muitos pecados Bruno de Carvalho tem razões de queixa. Atenção que as pessoas não são tão estúpidas como alguns iluminados gostam de pensar. A um mês das eleições a campanha, mesmo com férias e com a bola a rolar, vai ocupar uma imensa mancha mediática, com recurso à televisão e a outros media convencionais, mas também às redes sociais onde as ferramentas, sendo menos óbvias, podem ser mais eficazes. Qualquer erro pode ser fatal.
Guarda-redes 1. O suplente da seleção espanhola, o basco Kepa, tornou-se ontem o mais caro do Mundo na sua posição pela incrível soma de 80 milhões de euros. Kepa pagou a cláusula de rescisão do seu contrato com o Atlético de Bilbao num movimento que precede a assinatura pelo Chelsea. É sem dúvida um bom guarda-redes com grande futuro, mas anda um projeto de jogador, sem experiencia internacional e que jogava num clube médio da liga espanhola. O Chelsea tinha que resolver a saída de Courtois, entretanto confirmado no Real Madrid, mas é assustadora a forma como em Inglaterra se está a gastar dinheiro.
Guarda-redes 2. Carrasco da sua equipa na final da Champions em Kiev, o alemão Karius foi aplaudido de pé pelos adeptos do Liverpool no regresso ao relvado de Anfield Road. Após um final de época dramático, e condenado a um papel secundário na nova temporada com a contratação do brasileiro Alisson, Karius tem uma margem de manobra reduzida, mas as palmas dos inigualáveis féis do Liverpool mostram uma dimensão do futebol que está tão esquecida que um gesto destes merece ser valorizado e visto com atenção.
Por Nuno Santos