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Daniel Sá
Daniel Sá Diretor Executivo do IPAM

A Seleção que vale milhões

A convocatória de Portugal para o Mundial 2026 não é apenas uma lista de jogadores. É também o reforço de uma marca que vale milhões.

Roberto Martínez apresentou um grupo que mistura experiência consolidada e talento emergente, com nomes como Bruno Fernandes, Bernardo Silva ou Rúben Dias ao lado de João Neves, Vitinha ou Francisco Conceição. Mas há um dado mais relevante do que qualquer escolha individual: esta convocatória vai redefinir o valor de muitos destes jogadores nas próximas semanas.  

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Porque o Mundial já não é apenas uma competição. É a maior montra global do futebol. A presença de Cristiano Ronaldo, aos 41 anos, na sua sexta fase final, confirma isso mesmo. Ele já não precisa de valorização desportiva. Mas continua a ser o maior ativo mediático da equipa. É a prova definitiva de que, no futebol moderno, performance e marca são dimensões diferentes, e que a segunda, muitas vezes, vale mais.

Mas o verdadeiro jogo está nos outros atletas.  Jogadores como João Neves, Gonçalo Ramos, Vitinha ou Nuno Mendes chegam a este Mundial com um nível muito alto, estes ainda vão disputar a final da Liga dos Campeões. Isto significa que entram já numa curva de valorização ascendente. O Mundial pode não criá-la, mas pode amplificá-la de forma exponencial.

 E depois há os casos mais interessantes: os jogadores em fronteira. Samu Costa, Tomás Araújo ou Gonçalo Guedes, por exemplo, são escolhas que não apenas surpreendem, já que são decisões que criam mercado. Uma convocatória destas legitima, reposiciona e relança carreiras. Em alguns casos, mais do que uma transferência.  

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Porque o futebol atual vive de narrativas curtas e intensas. E nenhuma narrativa é mais poderosa do que a de um jogador que “aparece” no Mundial. Historicamente, sabemos como isto funciona. Um bom torneio internacional pode duplicar o valor de um atleta. Não porque se tornou melhor jogador em três semanas, mas porque se tornou mais visível, mais desejado e mais global.

 É aqui que a Seleção ganha um papel que os clubes já não conseguem controlar. Durante a época, o valor de um jogador é determinado por contexto: sistema tático, competitividade da liga, exposição mediática, consistência de minutos. No Mundial, tudo isso desaparece. O que resta é a performance pura, observada em simultâneo por todo o mercado global.

 Portugal, pela qualidade geracional que tem, está particularmente exposto a este fenómeno. Esta não é apenas uma equipa competitiva. É um portfólio de ativos distribuídos pelos principais mercados europeus em clubes como o PSG, Manchester City, Manchester United, Milan ou Barcelona.  

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E isso não é por acaso. A internacionalização dos jogadores portugueses faz com que cheguem ao Mundial já integrados em contextos de alta visibilidade. O que a Seleção faz é sincronizar essa exposição. Coloca todos no mesmo palco, ao mesmo tempo, com o mesmo nível de atenção global. 

Nenhum clube consegue fazer isso. A convocatória de Martínez revela, por isso, mais do que opções técnicas. Revela uma estratégia indireta de posicionamento do próprio futebol português. Ao escolher determinados jogadores em detrimento de outros e deixando de fora nomes relevantes como João Palhinha ou Ricardo Horta, está também a influenciar perceções de mercado.  

Porque, no limite, convocar é valorizar. E não convocar é desvalorizar. É uma decisão com impacto económico real. E é por isso que este Mundial vai muito além do resultado desportivo. Portugal pode ganhar ou perder jogos. Mas há outra competição a decorrer em paralelo: a competição pelo valor.

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Por Daniel Sá
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