_
O escândalo ainda só agora começou, apesar de uma cabeça já ter rolado – a de Sam Allardyce, o selecionador inglês. Mas está longe do fim e os próximos capítulos podem ser deveras interessantes e muita gente está já com as barbas de molho. Big Sam, como é apelidado pelos adeptos, meteu-se numa ‘big’ alhada que o afastou do comando da equipa inglesa e o pode, inclusivamente, banir do futebol se se confirmarem as notícias que dizem ser esta a vontade da federação inglesa.
Mas como é possível um homem que ganha(va) 3 milhões e meio de libras anuais prestar-se a um esquema destes a troco de umas ‘míseras’ 400 mil? Que explicação encontrarão psicólogos, psiquiatras e outros estudiosos da mente humana para uma atitude deste tipo, vinda de alguém que vivia rodeado de mordomias e para quem, certamente, aquele montante eram ‘peanuts’? Terá sido a gula que o levou a tamanha alarvice? Uma explicação mais científica haverá seguramente, mas para mim tratou-se sobretudo de burrice!
A proibição de os direitos económicos sobre jogadores serem detidos por fundos de investimento pode ser uma medida discutível e até, para muitos, inaceitável, mas o que é inadmissível é um treinador (para já...) aceitar ser parceiro de um esquema fraudulento visando tornear a lei. Assumir publicamente que a ela se opunha, estava no seu direito. Bater-se pela sua revogação ou alteração, também. Mas torpedeá-la?...
Allardyce foi apanhado na ratoeira montada pelo ‘Telegraph’ e os vídeos, com as gravações das conversas com os supostos representantes de capitais árabes, foram entregues às autoridades desportivas e judiciais inglesas, com as consequências já conhecidas. Infelizmente, entre nós, estas gravações não servem de prova...
Por Eládio Paramés