Na próxima semana, José Mourinho disputa a sua 26.ª final. Das 25 anteriores, ganhou 16 e perdeu nove, atingindo por quatro vezes as ‘meias’ da Champions League. Por aqui se ficou. Números impressionantes? Claro, mas não são só estes números que fazem do técnico setubalense um dos melhores do Mundo.
Outros ‘pormenores’ há, muitos dos quais pouco conhecidos ou até desconhecidos do grande público e dos media, que o tornam um técnico especial, deixando marca nos clubes por onde passou. Como, por exemplo, no Inter, onde no inverno era impossível treinar num relvado, pois não havia nenhum aquecido. Houve até a fotografia célebre com Mou e Silvino, de pá na mão a tirar a neve que cobria os campos do centro de estágio. Quando saiu de Milão, deixou de ser precisa a pá!
Ou, como no Real, onde surpreendentemente não existia refeitório para jogadores nem uma sala onde equipa, staff técnico e respetivas famílias convivessem tranquila e recatadamente. Após sair, já se podia almoçar decentemente no clube e os atletas sair do balneário sem serem incomodados com pedidos de autógrafos de visitantes-convidados.
E, como agora, em Manchester, onde ou se treinava com muitas bolas ou se dispunha de muitos apanha-bolas, pois o espaço do treino sem redes a delimitá-lo fazia com que cada remate levasse o esférico a ir para onde calhava. Hoje, podem não acertar na baliza, mas a bola fica pertinho. Com isto quero dizer que, independentemente de números, vitórias ou derrotas, um treinador deve tratar de muitas outras coisas. É este tipo de comportamento profissional que faz com que uns sejam especiais e outros nem por isso…
A final de Estocolmo, como ele diz, é para ganhar. Mas, mesmo que não a ganhe, a marca de Mourinho permanecerá em Manchester para o futuro.