Eládio Paramés
Eládio Paramés

Os campeões têm de saber sofrer

"Mourinho é um homem que trouxe e continua a trazer muito ao futebol, com as suas ideias e com a sua maneira de ser. Obviamente, ou o amas ou o odeias e eu faço parte da primeira categoria. Necessitamos de pessoas assim, inovadoras, que dizem aquilo que pensam e que nem sempre são diplomáticas. Necessitamos deste tipo de coisas no futebol e Mourinho está entre os maiores, entre as lendas do desporto."

Não. Estas declarações não são minhas, nem de um qualquer admirador confesso do treinador do Manchester United, mas de alguém insuspeito e conhecedor – Gianni Infantino, presidente da FIFA!

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As declarações foram feitas à AP e transcritas por vários órgãos da comunicação social um pouco por todo o lado, como, por exemplo, pelo espanhol ‘El Mundo’. Mas, que me recorde, poucos ‘media’ portugueses deram. O Record foi um deles. O assunto não interessou nem àqueles órgãos online, sempre céleres a reproduzir tudo quanto se refere a Mourinho. Desde que seja uma crítica (venha ela de onde vier), uma acusação (ainda que infundada) aí estão os ‘online’ a fazer corta e cola e meter na rede. Quando se trata de um elogio, mesmo que este venha do presidente do organismo máximo do futebol… chutam para canto! Critérios.

E a propósito de critérios, recordo uma velha história (perfeitamente aplicável aos dias de hoje) que Mourinho conta dos seus tempos de adjunto de Robson no FC Porto e que ilustra bem aquele tempo em que homens bravos ganhavam títulos e a diferença para os desta nova geração de tanta gente mimada. João Pinto partiu o dedo grande do pé, mas isso nunca o impediu de jogar. Infiltrado, para reduzir as dores, dedo entrapado, bota cortada para o dedo ficar de fora e não ter pressão, o capitão foi lá para dentro e… foi-se a eles. Os campeões são assim, têm de saber sofrer! Aprendam!

Por Eládio Paramés
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