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Não vou escrever sobre os méritos de Mourinho em mais uma taça conquistada, nem no número de títulos que já ganhou, nem sobre as suas inquestionáveis qualidades enquanto gestor de recursos humanos. Vou antes escrever e dar os parabéns a todos aqueles que estão por trás do técnico setubalense. Obviamente, Rui Faria, Silvino, Formosinho, Tiago e todo o staff é merecedor de palavras de elogio, mas, para além deste grupo, há um outro que merece, além de tudo, admiração. Refiro-me à família, à dona Matilde, à Tita e ao Zuca.
A família tem sido um elemento fundamental para a carreira de êxito do Zé Mário, e muito de bom ela lhes proporcionou. Mas há o reverso da medalha, o lado que poucos veem. Andar com a casa às costas de cidade para cidade, ver toda a sua intimidade devassada, ter a sua privacidade limitada, reconheça-se, não é fácil.
Claro, é o preço a pagar pela popularidade, mas é um preço caro. E duro. Conseguir, por exemplo, que os filhos entendam as ausências do pai, explicar-lhes que foi inevitável encontrar amigos em Barcelona e ‘perdê-los’, depois em Setúbal e ‘perdê-los’, a seguir no Porto e ‘perdê-los’, mais tarde em Londres e ‘perdê-los’, anos depois em Milão e ‘perdê-los’, mais recentemente em Madrid e ‘perdê-los’ e manter a coesão da ‘tribo’ não foi tarefa fácil. Por tudo isto, parabéns também para si, Dona Matilde! Não foi, pois, de estranhar ver, no final do jogo, o Zuca correr para os braços do pai e o Zé Mário para os da restante família. Eram todos vencedores.
Por Eládio Paramés