E, se em vez de, votarmos em políticos votássemos em jogadores de futebol? Nós gostamos dos melhores e a maioria dos portugueses gosta de futebol. Se pudéssemos votar em Cristiano Ronaldo e noutros jogadores da Selecção Nacional que se sagrou campeã europeia? Se pudéssemos votar em Cristiano Ronaldo, em vez de António Costa? Não tenho dúvidas que a votação atingiria percentagem muito superior a qualquer partido para governar o país.
Recentemente a intervenção política de dois jogadores de futebol da selecção colombiana deram-nos uma imagem e um sinal que o futebol pode interferir com a política de uma forma positiva. Daniel Torres que joga no Alavés, não é tão conhecido fora do seu país como Ramadel Falcão, famoso goleador que representou o Atlético de Madrid, actualmente, joga no Mónaco.
Os dois pronunciaram-se sobre o referendo no acordo de paz entre o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos e as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Pelo fim definitivo da guerra civil que dura há mais de meio século. Como sabemos o resultado desta consulta foi um redundo não ao acordo e a grande maioria dos colombianos não foi votar. Juan Manuel Santos foi nomeado prematuramente para Nobel da Paz.
Os dois futebolistas, apesar de viverem fora da Colômbia, pronunciaram-se sobre essa consulta ao povo colombiano. Torres saiu vencedor, apostou no não ao acordo. Falcão perdeu, foi a favor do sim.
Falcão, entre outras coisas, disse o seguinte: " tratar-se-á de reconstruir um país, gerações inteiras que sofreram a guerra. Eu imagino-me num país que tenha a capacidade de perdoar. Ainda que 70 vezes se for necessário…"
Por outro lado, Torres disse: "Senhor Presidente dirijo-me a si para falar da situação espiritual da Colômbia e do tratado de Paz… O centro do seu governo nesta negociação não é Jesus Cristo. Jesus Cristo é o único que pode trazer esta paz que tanto ambicionamos. As práticas que executaram não são de Deus, nem vem de Deus. Este acordo não se trata de religião, esta é a verdade."
Torres foi banal, Falcão foi sensato. Todavia o jogador que mostrou estar mais sintonizado com o povo colombiano foi James, jogador do Real Madrid. James não se pronunciou, a favor , ou contra no referendo.
O resultado mostrou que 60% dos colombianos nem se deram ao trabalho de ir votar, apesar de esta consulta ser a mais importante da história do país. Em vez de irem votar, preferiram ir passear, almoçar com a família, jogar com os seus telemóveis, ver televisão ou praticar desporto.
A apatia foi a vencedora mesmo com o empenho de figuras do futebol colombiano. Infelizmente, em geral, nas democracias do mundo inteiro há uma crescente abstenção e indiferença pela política.
É importante, termos o cuidado de estar atentos e ir votar, para que um dia no nosso país, não possa surgir um Donald Trump que nos governe.
Nota: Portugal venceu Andorra e as Ilhas Faroé. Já está em segundo mas a Suíça vai na frente.