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Com Zidane na batuta do Real Madrid, é só vencer. Não me recordo de um treinador ter um baptismo tão formidável e feliz. Como diz o jornal Marca, "um ano de feliZidane".
Venceu a Liga dos Campeões, a Supertaça Europeia, e agora o Mundial de Clubes. Falta-lhe vencer a Liga Espanhola, em que este ano está bem encaminhado, e a Taça do Rei. De resto, Zidane já venceu tudo.
Tem um plantel com muito talento e que se tem adaptado em diversas circunstâncias. Zidane é um treinador paciente e sabe pensar, com uma excelente relação com os jogadores. Essa é a chave do êxito: harmonia e ter os jogadores felizes.
O Real Madrid, com Zidane, perdeu posse de bola e é menos espectacular do que em épocas anteriores. Todavia, com bola é mais directo e eficiente na finalização. Quando o Real Madrid não tem bola, faz menos pressing e defende mais retraído e numa retaguarda posicional. Espera pelo seu contra-ataque demolidor, o mais letal do mundo. Tudo isto só é possível com jogadores rápidos e do nível de Ronaldo, Benzema, Isco, Modric, entre outros. Consegue misturar jogadores operários como Lucas Vásquez e Pepe com jogadores guerreiros como Sergio Ramos e de top mundial como Ronaldo. Dá-se ao luxo de lançar jogadores jovens como Asensio.
Ronaldo soma e segue. Conquistou o troféu de melhor marcador do torneio com quatro golos e melhor jogador da final. Na final marcou três golos.
Mas estes êxitos têm muito de Zidane, com quem os jogadores rendem mais pelo ambiente que ele proporciona. Os jogadores sentem-se bem, respeitados e cómodos. A seguir ao período crítico com Rafa Benítez, os jogadores sentem-se felizes, motivados e em alta.
Esse tem sido o segredo dos êxitos, da mesma forma como tem colocado os jogadores nos sítios certos no momento exacto. Aliando uma leitura plena durante o jogo quando decide fazer substituições.
Este élan está para durar. Este Real Madrid lembra-me muito o fenomenal Milan de Arrigo Sacchi. Muita personalidade, capacidade de adaptação, não se coibindo de sofrer para vencer, com soluções para todas as contingências do jogo. Tem tanto de sobranceria como de humildade.
Zidane pensa e rápido, numa partida de futebol há um montão de coisas que ocorrem e mudam o curso dos acontecimentos. Zidane, para além de ser um estudioso e planificador antes de cada jogo, lê muito bem o jogo. É o fiel espelho de um treinador que não adormece no banco.
Este Real Madrid ainda vai longe e vai manter esta estrelinha. Soma 37 jogos sem perder, superou o Barcelona, tem agora 21 títulos internacionais contra 20 do seu eterno rival.
O Real Madrid tem muita sorte em ter Zidane.
O autor escreve ao abrigo do AO