_

Joaquim Jorge
Joaquim Jorge Fundador do Clube dos Pensadores

Djokovic, o mal amado

Eu no lugar de Djokovic pegava nas  malas e vinha-me embora. Foi detido, visto como um criminoso, agora é um problema de papéis. O melhor é dizer: "Djokovic és persona non grata na Austrália".

O governo australiano acossado  esqueceu-se da reacção de quem o aprecia e segue. Não se pode dar permissão para entrar num país e depois recuar perante o medo da opinião pública. Nesse caso, dever-se-ia ter antecipado o problema.

PUB

Todos nós sabemos que Djokovic é o mal amado do ténis, em relação a Federer e Nadal, todavia é um enorme jogador e número 1 mundial.

A vacina é obrigatória para entrar na Austrália, mas existem isenções temporárias para pessoas que tenham tido problemas de saúde graves, que não possam ser vacinadas porque contrariam covid-19 nos seis meses anteriores ou tiveram uma reacção adversa à toma da vacina.

O certificado de isenção médica foi outorgado por médicos independentes sob a alçada do ténis da Austrália e do estado de Victória onde se realiza o Grand Slam.

PUB

Djokovic disse numa entrevista: " cresci nas montanhas e passei muito tempo com lobos, aprendi a ter a sua energia. Eles actuam de forma muito instintiva e vejo neles traços correspondentes em mim. Tenho a sensação que, de alguma maneira, são os meus guias espirituais".

Este traço do seu carácter diz tudo. Djokovic está habituado à adversidade e até à solidão. Este episódio rocambolesco de ficar preso num hotel, no fundo só lhe vai dar mais força para enfrentar o que se segue – vencer o  Open da Austrália, se puder jogar.

A classe política, de forma populista, querendo tirar proveito, tendo em conta que vai haver eleições. Os australianos são os ingleses do outro lado do mundo que se julgam superiores a tudo e todos e só olham para o seu umbigo.

PUB

Claro que ninguém está acima da lei, porém, pelo que li, Novak fez o que foi pedido para poder jogar o torneiro de ténis, independentemente de estar ou não vacinado.

Novak Djokovic não está vacinado, mas antes de rumar à Austrália procurou indagar e saber da possibilidade de poder participar no torneiro que já venceu nove vezes. Recolheu informação com a organização do torneiro e com o estado de Victoria, onde se realiza o Grand Slam.

Porém, um jornalista fez um Twitter e uma pesquisa da televisão disparou o sinal de alarme. Até essa altura não houve notícias do governo da Austrália.

PUB

Djokovic passou de herói a vilão, como é habitual sempre que há um caso com ele - criminoso administrativo.

O juiz Anthony Kelly mandou libertá-lo. No fim de contas quis dizer: o que é preciso mais para Djokovic poder entrar na Austrália, depois de cumprir com todos os requisitos?

A tenacidade, o denodo e a razão triunfaram. Djokovic é feito de uma fibra de campeão, em vez, de recuar manteve-se e foi libertado.

PUB

Com estas linhas não quer dizer que eu seja contra a vacina, antes pelo contrário. Todos os documentos científicos comprovam que é uma arma poderosa contra o vírus, porém, Djokovic não é um criminoso e quer contaminar outras pessoas, ele só quer jogar ténis.

Para já ganhou um set (foi libertado), vamos ver se vence a partida (poder participar no torneiro). Todavia, a telenovela continua e há factos não esclarecidos.

Penso que tudo isto é mau para Djokovic, é mau para o ténis, mas também é mau para o governo da Austrália

PUB

Por Joaquim Jorge
Deixe o seu comentário
PUB
PUB