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O futebol africano não nos diz muito, conhecemos aqui e acolá alguns jogadores que militam em clubes europeus.
A final da Taça de África pôs frente-a-frente Salah pelo Egipto e Mané pelo Senegal, colegas no Liverpool, mas adversários nesta final.
O Senegal venceu no desempate nas grandes penalidades, com o último penálti marcado por Mané. Fiquei com pena, pela excelente campanha do Egipto, comandada por Carlos Queiroz um especialista em preparar selecções.
O Liverpool para além de ficar sem dois dos melhores jogadores, tem que gerir a sua rivalidade no regresso à Premier League.
Há um mal estar entre os dois desde a renovação dos seus contratos. Mané com 29 anos foi comprado ao Southampton por 40 milhões em 2016. Salah, um jogador que Mourinho apreciava, esteve na Premier League sem sucesso, rumou a Roma e regressou a Inglaterra para o Liverpool. Auferiam os dois, 2 milhões de euros.
Salah teve uma época espectacular com 32 golos e procuraram segurá-lo no Liverpool com uma renovação a passar a auferir 14 milhões de euros.
Ao invés, Mané jogador que dá muitas assistências a Salah, polivalente, altruísta e inteligente só mais tarde lhe subiram o salário para 10 milhões.
Mané tem a noção, que defende, ajuda no meio-campo, se jogasse mais na frente sem tarefas defensivas marcaria também muitos golos.
Mané é um jogador de equipa e Salah joga mais para si. A sua relação não é muito boa e no balneário cada um tem o seu grupo. Esta final da Taça de África foi o ajuste de contas e venceu Mané
Mané é um jogador, que fora do futebol tem uma vida simples, pagou bilhetes para alguns adeptos do Senegal que quiseram assistir à final da Taça de África (CAN). Há tempos numa entrevista disse:" Não preciso de Ferraris, relógios e aviões, quero ajudar meu povo". Ainda há gente assim.
Mané é um exemplo para todos nós, de origem humilde aposta na caridade e no bem comum do seu povo. Não tem pejo em dizer que passou fome e trabalhou no campo. Mané em vez de andar a exibir carros, jóias, casas e aviões, dá dinheiro para roupas e comida a pessoas pobres em África.
Mané não esqueceu as suas origens e mesmo sem ter tido uma educação de base, mostra a muitos a sua enorme grandeza. Utiliza o dinheiro que ganha para ajudar os mais necessitados.
Um exemplo, a enaltecer e a fazer ver que os milhões do futebol podem ser canalizados, não para exibicionismos e vaidades, mas para quem mais precisa.
A caridade como doação voluntária de ajuda aos necessitados, é um acto nobre e uma virtude só ao alcance de alguns.
Esta liberdade de espírito devia influenciar outros jogadores.
Fundador do Clube dos Pensadores
· Escrevo ao abrigo do antigo AO
Por Joaquim Jorge