Quem diria que passados quatro anos sob nova gerência, marcada por orientação bem mais musculada, na pose e na palavra – com reduzidíssimo sucesso, diga-se – e promessas de dias e anos de glória, por força de uma aposta segura na força motora do clube, o futebol, está novamente na primeira linha do quotidiano desportivo a situação incompreensível do Sporting. Pelas posições públicas e privadas de quem chegou, por vontade esmagadora dos associados, à cadeira do poder em 2013, mas muito particularmente pela ausência de resultados. É que sem eles, como todos sabemos, em qualquer clube, mais tarde ou mais cedo, tudo é posto em causa.
As opiniões dividem-se entre Bruno de Carvalho e Jorge Jesus como os principais fautores da crise. De um modo muito pragmático, como tenho defendido ultimamente, por tudo aquilo que lhe foi ofertado, por todo o poder de que tem desfrutado, por todas as escolhas que lhe têm sido possibilitadas – porque se fosse ao contrário o próprio assumiria para si a mais significativa parte dos louros – a cadeia de responsabilidades deve ser encabeçada pelo treinador. JJ continua grande treinador, mas não pode ser ele a estrutura. E se foi ele, como defende, que criou a do Benfica (em muitos aspetos tenho dúvidas) devia ter feito o mesmo nos leões. Esse foi, seguramente, um dos grandes erros do presidente, de novo candidato. Agora, estão reféns um do outro e só resta saber qual o epílogo. Com mais do que prováveis danos colaterais a contribuírem para a rotura.
Com o processo eleitoral em pleno andamento, marcado por movimentações na sombra, mais uma parte do futuro leonino, e do seu fado, joga-se no Funchal. A ferro e fogo e sem vislumbre de tranquilidade!
Por José Manuel Freitas