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Quando falam a Luís Filipe Vieira no Seixal, nos projetos que tem para tornar ainda melhor o local onde o Benfica se prepara e trata do futuro, mas muito particularmente no futebol de formação, os olhos do líder encarnado brilham de satisfação. Os motivos são óbvios, como se prova através de mais duas transferências milionárias. Em boa verdade, tendo em conta aquilo que produziu na equipa da Luz na última época e meia, sem colocar em causa o muito talento do futebolista – 59 jogos e 10 golos em todas as competições –, negociar Gonçalo Guedes para o PSG (já que não se concretizou a ida para Manchester, antes Paris do que este Valencia…) por 30 milhões de euros nos tempos é obra, mas estava na cara que mais tarde ou mais cedo era inevitável a sua saída de Portugal. Agora, negociar outro futebolista com grande potencial, que nunca jogou pelo Benfica, para o Championship, onde tem brilhado depois de ter dado provas no Monaco, como é o caso de Hélder Costa por apetitosos 15 milhões de euros… Sim, tem de se valorizar o peso no mercado de Jorge Mendes, mas jamais desvalorizar a capacidade negocial de LFV. É que antes destes foram André Gomes, João Cancelo, Ivan Cavaleiro e Bernardo Silva, que praticamente nunca jogaram no Benfica, sem esquecer que Renato Sanches ingressou no Bayern Munique – custa-me a crer é que chegue aos tais 80 milhões. Ou seja, quando os olhos de Vieira brilham não é difícil de perceber porquê: a ‘fábrica’ de talentos que erigiu no Seixal rende muitos milhões de euros. Confirma-se, assim, em absoluto, que é esse o caminho do futebol português. Ninguém é campeão só com jovens, é verdade, mas dá muito jeito tê-los em quantidade. E quando há qualidade, a marca Benfica ajuda.
Por José Manuel Freitas