A lição do Rio Ave
O futebol romântico e positivo requer coragem. Só pode ser alimentado pela capacidade de não abandonar a ideia aos primeiros maus resultados. Nem todos os treinadores aguentam essa pressão apesar das boas intenções iniciais. E nem todas as direções têm paciência para esperar pelos frutos desse trabalho.
Nesse particular, o Rio Ave é um caso único no futebol português. Um clube que, há várias épocas, defende um conceito de bem jogar. Treinadores e jogadores contratados precisam de se encaixar nesse perfil. Não é o ganhar a qualquer custo, com ‘autocarros’ e jogo de repelões. É tentar vencer através da estética, da definição de um futebol afirmativo, seja qual for o adversário.
Os vilacondenses não mudam a sua personalidade quando defrontam os denominados grandes. Especialmente em casa. Viu-se pela forma como eliminaram o Benfica da Taça de Portugal e como também empataram com as águias para o campeonato (num jogo onde poderiam ter ganho).
Todas as épocas o clube perde os seus melhores jogadores. Krovinovic, o maestro da temporada anterior, estava no outro lado. Gil Dias e Roderick também deixaram de morar em Vila do Conde. Mas há Francisco Geraldes, Rúben Ribeiro (um dos melhores jogadores da Liga) ou o ‘eterno’ Tarantini. E há um técnico, como Miguel Cardoso, destinado a chegar aos grandes palcos. Todos eles são felizes no Rio Ave. Encontram um clube que os deixa arriscar. Que protege e exulta o lado ofensivo do jogo. Ano após ano. A fórmula resulta e está a dar os seus frutos. Dentro do campo, o Rio Ave joga como um grande. E é dentro do campo que os jogos se ganham.
