Calados são poetas

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Bruno Fernandes deu pontapés nas portas do Bessa porque está descontente no Sporting. Porque não saiu para o Tottenham. Porque o plantel dos leões não lhe oferece garantias. Porque Varandas quis 70M€, mas deveria ter aceite bem menos. E Bruno pensou em tudo isto quando foi expulso e descarregou nas instalações dos boavisteiros. Pois está claro. 

Pelo menos foi o que se ouviu durante a última semana. Um pouco por toda a parte. Parece que há por aí muita gente que estava na cabeça do capitão do Sporting. E esses são muito mais do que comentadores de futebol. Representam uma nova estirpe: a do comentador mentalista. O adivinho. Aquele que lê mentes. Aquele que é dotado de poderes sobrenaturais.  

Neste exercício de falar à sorte, só faltou mesmo dizer que Bruno poderá ter reagido daquela maneira porque não gostou da forma como foi expulso e pela frustação de não poder ter continuado a ajudar a equipa. Mas assim não vendia tanto, claro. Nem dava para fazer da situação um caso de proporções épicas. 

Não que a atitude de Bruno seja louvável. Longe disso. Mas não é o fim do mundo. O futebol está cheio de casos em que jogadores reagiram assim depois de uma expulsão ou mau resultado. Se existem estragos, um clube manda a factura para outro e fica resolvido. Simples. Menos simples é haver alguém que vaze as imagens de videovigilância deste episódio (sem comparação com acontecimentos bem mais graves que já tiveram lugar nos túneis do futebol português). Mas talvez um comentador mentalista nos possa ajudar a descobrir quem foi. Ou então o Boavista, claro. 

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