Craque é como mulher bonita

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É uma das maiores crueldades do futebol. O jogador que chega aos 34, 35 anos, tem um dia mau porque está velho. Falha um golo fácil porque atingiu a senilidade desportiva, dá um ‘frango’ porque é um decrépito que não quer pendurar as luvas. E lá vêm as sentenças do costume: "Está acabado, já não tem vida para isto." Quantas vezes não ouvimos – e dissemos – frases destas sobre aquela estrela que admirávamos e que já passou a barreira dos 30 anos? E, no entanto, não faltam exemplos que mostram o contrário. Dois deles estiveram no Dragão na última quarta-feira. Iker Casillas (35 anos) e Gianluigi Buffon (39). Lendas da baliza, símbolos da história do futebol, campeões do Mundo, amigos. E se o espanhol já disse que começa a pensar no momento da retirada, o italiano ambiciona jogar até aos 65 anos: "Na vida nada é impossível. Os sonhos devem ser cultivados e são a coisa mais linda do Mundo, desde que sejamos sinceros connosco e coloquemos paixão e desejo em tudo o que fazemos."

Eles têm essa paixão. Esse desejo. Esse amor pelo futebol. Vivem cada jogo como se fosse o primeiro da carreira. E a lista podia continuar com Ibrahimovic (aos 35 anos é a grande figura do Man. United), Totti (símbolo da Roma ainda no ativo), Giggs, Zanetti ou Maldini (retirados ao mais alto nível depois de cumprirem 40 anos). Nenhum herói do futebol joga para sempre. Mas, quando quer, joga mais do que os outros. Já dizia o grande escritor brasileiro Nelson Rodrigues: "O tempo é uma convenção que não existe nem para o craque, nem para a mulher bonita. Existe para o perna-de-pau. Na intimidade da alcova, ninguém se lembraria de pedir à rainha de Sabá, ou a Cleópatra, uma certidão de nascimento." Iker e Gigi sabem o mais importante: no caso deles, a idade é apenas um número.

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