Os dérbis são infinitos

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O Benfica-Sporting não acabou na quarta-feira à noite. Nem sequer começou às 21h30. Sente-se e joga-se antes, durante e depois. Como algo místico que finta o tempo e o espaço para continuar nas semanas seguintes. Nos anos seguintes. Na história destes confrontos. Até ao próximo. Sem nunca esquecer o anterior. Os anteriores. Digam o que disserem os treinadores, estes nunca são jogos como os outros. Nunca são apenas mais três pontos. É válido para eles, para os seus jogadores e para os milhões de adeptos que sofrem de ambos os lados.

Um dérbi nasce sem nunca morrer. Seja pelas polémicas – e em Portugal são sempre muitas – seja pelos efeitos que produzem nas equipas, para o bem e para o mal, perante o que resta da época. Podem até não ser decisivos. Podem não definir campeões nem passar certidões de óbito a quem os perde ou empata e precisava de ganhar. Mas são únicos. Especiais.

O dia em que há um dérbi sente-se a cada esquina. No estádio, nas ruas, nos cafés, nas casas onde amigos de cores diferentes se juntam em frente a um televisor. A magia de um Benfica-Sporting viverá sempre para lá dos foras-de-jogo, pénaltis e decisões, boas ou más, de um árbitro ou de um VAR. Pegando num "palavrão" tão em foco no futebol português, o protocolo de um dérbi não oferece dúvidas a ninguém. É paixão, euforia, tristeza para quem perde, loucura de quem o vence e um amargo de boca, generalizado, quando se empata. Mesmo que esse resultado sirva mais a uns do que a outros. Depois vem o ruído. A batalha verbal. As acusações. As queixas. E tudo passa. E nada mata o mais importante. Os dérbis são à prova de bala. Vivem dentro do coração do futebol.

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