Os rebeldes atraem-se
Um treinador autoproclamado especial. Um avançado que se compara à Estátua da Liberdade. Dois superegos indomáveis que vivem na mesma casa. Tinha tudo para dar errado e, mesmo assim, como nas grandes histórias de amor, resultou numa bonita ligação desde que os caminhos de ambos se cruzaram no Inter.
Ibrahimovic: "Gostei dele imediatamente. Fizemos logo clique. Trabalha duro, duas vezes mais duro do que os outros. Nunca conheci um treinador com tanto conhecimento dos adversários. Até sabia o número das chuteiras do terceiro guarda-redes."
Mourinho: "Não percebo quando as pessoas dizem que ele é um tipo complicado para trabalhar ou que tem uma personalidade difícil. Quando tens alguém que é um vencedor e quer vencer sempre, acho que é muito fácil."
Estiveram juntos apenas uma época (08/09): Inter campeão, Zlatan melhor marcador da liga com 25 golos. E veio o divórcio. O sueco rumou a Barcelona para ganhar a Champions (algo que ainda não conseguiu), mas foi o português que ficou com a taça depois de bater o Barça de Pep Guardiola nas meias-finais. Um ódio de estimação do próprio Zlatan: "Se Mourinho ilumina uma sala, Guardiola corre as cortinas."
Entre amores e desamores, Mourinho e Ibra andaram separados várias temporadas. Mas ficou o desejo. A vontade de um reencontro. Quase como uma promessa silenciosa de que aquela história ainda tinha algumas páginas por escrever. Páginas de glória. Como a do último fim de semana em que o United ganhou a Taça da Liga depois de bater o Southampton (3-2), com dois golos de Zlatan. E o que disse Mourinho no final do jogo? "O Ibrahimovic ganhou o jogo por nós, porque foi formidável."
Há amores que se apagam com o tempo. E existem outros, como este, em que a chama resiste a qualquer tempestade.
