Prenda de Natal para a FIFA

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As últimas imagens são as que ficam. Joseph Blatter é hoje um exemplo de um dead man walking que clama pela sua inocência quando já ninguém acredita. Penso na cara, voz trémula e postura de pugilista em fim de carreira que se arrasta de tareia em tareia. Sovado pela mesma comissão de ética que o protegeu durante tantos anos. Um órgão criado por ele apenas para afastar a concorrência com pressupostos legais.

O suíço está agora a provar o seu próprio veneno. Sofre o mesmo tratamento de muitos dos seus antigos aliados transformados em inimigos. Foi a sua pressão junto do tribunal da FIFA que levou à saída sem glória de João Havelange, anterior presidente, ou Mohamed Bin Hammam, candidato afastado nas eleições de 2011. Enquanto todos caíam, o suíço prosperava. Mas este final, por mais que demorasse, era inevitável.

Sepp Blatter e Michel Platini estão a iniciar os primeiros dias de uma suspensão de oito anos. Podem recorrer, claro. Podem fazer muito barulho, mas são assunto arrumado. Para Blatter é apenas um adeus amachucado. Uma triste maneira de se reformar. Para Platini, muito provavelmente, significa o fim da ambição de um dia poder vir a ser o líder do futebol mundial. Os dois são o exemplo do que a FIFA se tornou durante o reinado do velho Sepp: pagamentos ilegais, acordos verbais, justificações duvidosas, contradições, desmentidos, polémicas. Em suma: histórias mal contadas. Em suma: corrupção. Em suma: valia tudo.

A juntar a isto estão ainda as acusações que recaem sobre muitos dos outros elementos: subornos, branqueamento de capitais, extorsão e evasão fiscal. Em maio, antes das prisões de 14 elementos ligados à FIFA, Guido Tognoni, antigo assessor de Sepp Blatter, resumiu da melhor forma esta organização: "A FIFA é como uma pequena máfia em que todos os assuntos são resolvidos dentro da família."

Parte dessa família já está fora, mas outros continuam lá dentro. O castigo imposto a Blatter e Platini foi uma bela prenda de Natal para o futebol e para a própria FIFA. Ficou mais limpa. Ou menos suja. Mas a "pequena máfia" não acabou com eles. Essa função caberá ao novo presidente. Tem dois caminhos: permitir que todos roubem para se perpetuar no poder (como fez o seu antecessor) ou ser um líder de uma organização que, finalmente, sirva o futebol em vez de se servir dele. O primeiro caminho pode ser mais confortável, mas está visto que não acaba bem.

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