Se há treinadores que não podem desculpar-se com a ‘estrutura’ do clube que serviram para justificar o fracasso, Julen Lopetegui é, definitivamente, um deles. Com o beneplácito do presidente, o treinador espanhol passou por cima de tudo e todos para escolher jogadores, construir plantéis e geri-los a seu bel-prazer. Talvez pela primeira vez nas últimas décadas da era Pinto da Costa, houve alguém que esteve acima do saber e da intuição futebolística do líder dos dragões e cometeu a ‘proeza’ de desbaratar o capital de confiança que lhe foi dado.
Desde o princípio do século que só há dois treinadores no FC Porto, não contando obviamente com aqueles que tiveram o mero estatuto de interinos, que podem lamentar-se das condições proporcionadas pela tal ‘estrutura’. José Couceiro, em 2005, herdou um conjunto formado por uma série de equívocos consumados no mercado de transferências. Mais recentemente, Paulo Fonseca teve à disposição o mais fraco plantel portista de que há memória. E por muito mal que corra o trabalho a José Peseiro, que apenas ficou com os cacos do basco, nada apagará as desventuras de Lopetegui no Dragão.