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A indignação pública contra Rui Borges após o singular comentário à performance do Gil Vicente foi desproporcional, e, sabemos hoje, acima de tudo ignorante.
Como tive oportunidade de escrever ontem, Rui Borges saberia muito mais sobre o que se passou/passava no balneário gilista do que qualquer comentador(a). Afinal, César Peixoto também desejou "Boa sorte!" ao Sporting e ninguém veio rasgar as vestes pela possível cortina de ironia que revestiria essa declaração.
Ontem, com o Pedro Sousa no programa “Record na Hora”, esse pano começou finalmente a cair. Afirmou no canal NOW: “O Tiago Aguiar hoje é o número 1 dos adjuntos do Rui Borges; no Paços de Ferreira com o César Peixoto nem sequer era o 2.º adjunto. João Gião, que era o adjunto principal de César Peixoto, é hoje o treinador da equipa B do Sporting Clube de Portugal(...)Ambos saíram em rota de colisão com Peixoto, por motivos relacionados com atitudes do próprio treinador."
E de repente, tudo se encaixa. Quando Rui Borges não cumprimenta e critica, não o fez para as câmaras, nem para suscitar réplicas nas redes sociais, protegeu a sua equipa técnica, a sua família, de um treinador adversário ao qual o seu banco não é neutro. Protegeu os seus adjuntos que trazem feridas abertas, histórias que não foram esquecidas e que transpiraram no rescaldo de um jogo disputado até ao último minuto.
Portanto, nada que ver com uma reação a destempo às juras de amor do treinador gilista sussurradas ao ouvido de Bruno Lage.
E o que é mais irónico nisto tudo?
Os comentadores de ocasião, "chocados" com a declaração de Rui Borges, escolheram ignorar o que a provocou. Apontaram o dedo ao treinador do Sporting, como se este se estivesse a referir aos jogos da equipa de Barcelos contra o Sport Lisboa e Benfica quando não se tratava de nada disso.
Como se o futebol português fosse um convento onde só existe lugar para o binómio crentes benfiquistas versus heréticos sportinguistas ou vice versa.
Acenderam a fogueira para "purificar" Rui Borges da sua "parolice", e logo por azar em vésperas do grande derby... estava frio...
Não, Rui Borges não é, nem foi o vilão.
A “taberna” de que se falou existe algures, sim — mas não no banco do Sporting.