Octávio Ribeiro
Octávio Ribeiro Jornalista

As virtudes da mala

Este campeonato está muito interessante, o Benfica não faz tudo o exigível para o ganhar, mas o FC Porto faz ainda mais para o perder. Este é o ano em que ganha quem fizer menos disparates. Não estamos na busca do melhor, mas do menos mau.

Nesse contexto, a que obviamente os presidentes só não são alheios pela sua responsabilidade na formação dos plantéis e na escolha dos técnicos, ganha prevalência a estratégia da mala. A mala existe há décadas, apesar de todos os envolvidos dizerem que nunca a viram. Daqui demarca-se Futre, que já disse e redisse, que as malas existem e devem existir. Só há para ditar outra qualidade às ditas malas – deviam ser transparentes.

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Permita-me, o caro leitor, o risco de entrar numa área de metáfora desastrada, por mau gosto, do presidente do Sporting: as malas estão para o futebol como as prostitutas para o sexo – existem, mas todos fingem que não. Assim, aplacam-se consciências virginais e perdem-se milhões em impostos. Mas a analogia acaba aqui. No futebol, pagar para ganhar é apenas acrescentar prazer a quem já fará tudo para o ter. Um jogador sério não gosta de perder nem a feijões.

A mala, normalmente recheada de dinheiro vivo, distribuído pelo capitão, mal acaba o duche, é apenas mais uma garantia para os profissionais honrarem esse nome. E, tristemente, nalguns casos, permite pagar contas que, nos clubes pobres, garantida a manutenção, ficariam meses penduradas.

Quando as apostas globais, essas sim, fazem perigar a verdade desportiva, alguém pagar para que os atletas vençam, ou empatem, batalhas desiguais não deveria ser um problema. A mala merece ser legalizada, pagar impostos e correr pela Liga.

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Por Octávio Ribeiro
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