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O futebol é um negócio estranho, nada objetivo, apesar dos jogadores, por vezes, serem transacionados que nem objetos.
Tomemos o exemplo do Benfica. Há duas épocas, prescindiu de uma jovem promessa num movimento polémico que acabou por render 15 milhões; já esta época, pagou 16 milhões por outra jovem promessa. O craque que o Benfica vendeu por 15 milhões vale agora cinco vezes mais. É Bernardo Silva, que um dia Jorge Jesus disse querer transformar em defesa-esquerdo, e brilha agora a grande altura no Mónaco de Leonardo Jardim.
O craque que o Benfica comprou por 16 milhões ainda não confirmou o valor. É Rafa. Neste momento, no primeiro mercado, não valerá nem metade.
Mas em poucos meses poderá valer muito mais. Tudo depende do trabalho que o Benfica consiga fazer, mais do que com o corpo, com a cabeça do jovem atleta. Rafa está a desenvolver um trauma ao remate. Nunca foi um grande finalizador, mas não tinha medo de arriscar. Agora está com medo de falhar. Nota-se.
É preciso ultrapassar esta fase. Rafa será sempre um jogador que precisa de quatro ou cinco oportunidades para concretizar uma. Mas a sua velocidade, boa técnica e ratice na busca de espaços permitem, numa equipa como o Benfica, que Rafa falhe o que tem a falhar e, ainda assim, acabe uma época com mais de 10 golos marcados. É preciso retirar de Rafa a angústia do falhanço, que lhe está a tolher as decisões, até na escolha dos terrenos em campo. Para Rafa, a baliza parece sempre pequena. Um elemento estranho num jogo de futebol. Ou a baliza volta a crescer para Rafa, ou o Benfica fez muito mau negócio.